Economistas, banqueiros, técnicos de contas, merceeiros e afins. Tudo uma merda!

Ina_orange_mv

Vivemos num país fraquinho. Esta é uma daquelas frases mais que feitas. Das que não acrescentam rigorosamente nada a quem cá vive. Convém, por isso mesmo, acrescentar qualquer coisita à discussão. Não é que eu vá conseguir inventar alguma coisa. Nada disso. Já tantos e melhores disseram as suas verdades. E cada um tem as suas, as tais verdades. Como sou apenas mais um, segue-se um conjunto de pequenas verdades, mentiras e outras que tais.

Alguém já se questionou sobre o facto de sermos regularmente governados por pessoas ligadas ao dinheiro, ao guito? De uma forma ou de outra, as pessoas mais importantes que decidem os destinos do país estão ligadas ao dinheiro. Temos andado à mercê de economistas, banqueiros, técnicos de contas, merceeiros e afins. Os resultados estão à vista. Quem vai para o governo aposta sempre em levar os mais competentes homens do guito. Geralmente acertam pouco. E acertam pouco porquê? Porque os homens do guito são sempre tacanhos. Têm uma mentalidade muito curtinha. Alguém conhece algum homem do guito verdadeiramente culto? Não? Pois é, eu também conheço poucos. A grande maioria pensa no tostãozinho que se gasta a mais e que não se devia gastar. Já vem de longe. Tivemos um, que nos deixou os cofres com dinheirinho mas pobres de espírito, sem educação e oprimidos. Depois da revolução de Abril foi o desnorte completo. Sem cultura democrática, foram escolhidos aqueles que estavam mais à mão e, até hoje, estamos a pagar a falta de orientação e estratégia. Sem querer tirar o mérito ao que foi bem feito durante estes anos todos, sempre posso afirmar que a aposta na cultura foi irrisória. Os orçamentos foram sempre escassos e residuais. Há aquela ideia que a literatura, a pintura, o cinema, o teatro, a dança, a música e todas as outras manifestações artísticas não enchem a barriga. Pequeninos são os que assim pensam. A cultura, como indústria, é uma força irresistível. Até para perceberem essa força, os homens do guito têm dificuldade. Não é preciso ir muito longe para pegarmos em exemplos. Vejamos o que se passa aqui ao lado, com os espanholitos. Acreditam, de uma forma exagerada…, nas suas capacidades culturais e artísticas, é certo, mas à conta dessa forma de estar na vida (devem achar que são o centro do mundo…) conseguiram desenvolver uma estratégia cultural que gera muito, mas mesmo muito guito (o tal que é importante… para os nossos merceeiros…) e “mexe” com muitas áreas de negócios. Tem peso no PIB. O nosso país, sendo mais pequeno e com enormes potencialidades, seria mais fácil de planear, organizar, conceber e aplicar (pela ordem que quiserem…) uma estratégia eficaz. Podíamos ser grandes. Podíamos, mas não somos.

O novo orçamento veio reduzir, ainda mais, a verba atribuída à cultura. Mais do mesmo, portanto. Outra coisa não seria de esperar vinda deste governo. Eles até podiam ficar com a ideia deles. De que não se deve dar cultura às pessoas para que elas não se habituem a desenvolver um qualquer espírito crítico mas podiam pensar que a coisa… pode dar lucro… Cultura a dar lucro? Sim, é verdade! A longo prazo e depois de estarem montadas as estruturas e as mentalidades necessárias, a coisa dá lucro e nós, portugueses, seríamos um povo melhor. Disso não tenhamos dúvidas.

Em vez disso temos um primeiro ministro que nunca manifestou qualquer opinião, digna de registo, sobre o assunto e que tem ar de quem nunca pegou num livro ou se pegou foi de pernas para o ar. Tem um discurso oral muito ordenado, fruto da formatação partidária e dali não sai. É o melhor que consegue fazer. O vice ministro, ou seja lá qual for a designação que lhe arranjaram para o homem se sentir mais importante, já é de outro calibre. Nota-se uma bagagem que mete o que está acima dele num bolso, pequenino das calças, mas tem um problema de ideologia… é um tradicionalista e pouco dado à mudança. Vai à missinha e faz-me sempre lembrar aqueles jogadores de uma luta americana, de que não me lembro do nome, em que é tudo fingido, encenado e cada um luta por mais protagonismo. É muito show off.

Para terminar em beleza, falta o quê? O padrinho desta malta toda. Sim, aquele que já aturamos há trinta anos. Que não se vai embora e que insiste em comer bolo rei de boca aberta (há coisas que são inesquecíveis…) e nos brinda com discursos quadrados, dignos de um qualquer país africano (sem desprimor para África e as suas culturas). Se o outro pega num livro virado de pernas para o ar… este nem sequer deve pegar em qualquer tipo de livro, para além dos livros sobre economia, fotocopiados, que sempre se metem uns cobres ao bolso. É o personagem ligado ao guito mais fraco que tivemos à frente dos destinos do país. E isto não é implicar com o homenzinho. Alguém já ouviu alguma coisinha, pequenina que seja, interessante vinda da boca deste homenzinho? E sim, pode ser qualquer coisa dita no intervalo de uma qualquer sessão de prova de bolo rei. Alguém ouviu, repito eu? Não, pois não? Bem me parecia. É um economista!

Pelo meio desta trapalhada toda, consigo perceber que há mais exemplos de homens do guito que são uma autêntica nulidade como líderes nacionais, muitos, mas mesmo muitos mais exemplos. Querem um, aqui bem pertinho? O anterior presidente da Câmara Municipal do Porto. Um verdadeiro merceeiro, no sentido mais lato do termo. Arrumadinho, com as continhas certinhas. Corta daqui e corta dacolá… cenas de tipos a expressarem-se… é fatela. Festivais disto e daquilo… ainda pior. Fazem-se uns concertozitos pimba nos bairros e a coisa fica tranquila. Para os outros e como é um verdadeiro fanático dos pópós, gasta-se o guito disponível numa corridazita. O que vale é que as pessoas do Porto não querem saber de pessoas de vistas curtas e se acham que devem fazer isto ou aquilo, fazem. A pujança do Porto como roteiro turístico e cultural não teve a benção do merceeiro. Felizmente.

Também felizmente, o Porto tem agora um personagem muito competente à frente da cultura da Câmara. Pelo seu percurso, pelo seu discurso e pela sua vontade, o Porto vai ganhar. Tenho de confessar que fiquei de pé atrás quando vi que um queque de todo o tamanho tinha ganho a presidência da Câmara, ainda por cima apoiado pelo partido do outro malabarista… mas os sinais têm sido claros e quero acreditar que os projectos culturais na minha cidade vão ser, em breve, uma realidade. Só para sermos diferentes…

E pronto. Era isto. E agora vou nanar que amanhã entro às oito horas e trinta minutos. E vou de motoreta. E vou ter frio. E vou ter que tomar um belo de um café logo às sete da manhã, para despertar, que o dia vai ser longo, muito longo.

Leave a Reply