É o que dá começar numa ponta e acabar noutra.

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Esta cena de vir aqui escrever sobre assuntos sérios é… uma cena fatela. É um bocadito cansativo estar a escrever sobre assuntos que nos magoam. Já basta a dor provocada e ainda por cima… há a necessidade de falar do assunto? No mínimo, é estranho. Mas vivemos em sociedade. Temos de lidar com todo o tipo de gente, com ideias muito diversas das nossas, com sentimentos, com vontades e… uma data de lugares comuns que não me apetece estar para aqui a enumerar. Daí os assuntos sérios. Olhamos à nossa volta e vemos tantas injustiças, tantas maldades. E ficamos impotentes. Impotentes perante aqueles que têm o poder de decidir sobre o futuro de milhares de pessoas.

Esta primeira parte do texto está a ficar pesada. Não era isso que eu queria. Estou a ouvir um sheik leviano e o texto deveria acompanhar essa leviandade. Seria bem mais agradável. Agradável seria sinónimo de diversão. Pelo menos para mim. Esse era para ser o mote deste texto… que acabou por não se livrar da tentação… como se o texto tivesse vontade própria… Não tem, que fique bem claro. Quem manda no texto sou eu! Já que não mando em coisíssima nenhuma, mando no texto!

E pego no texto e digo-lhe assim. “vamos falar dos meus problemas, ok?” “Problemas? Também tens problemas?” pergunta o texto… como se um texto conseguisse fazer uma pergunta deste género. “Claro que tenho problemas. E não são poucos!”. “Mas…”. “Mas, nada! Estou cheio de problemas e não se fala mais no assunto. PERCEBIDO?”.

O texto faz um parágrafo, dos verdadeiros porque percebeu que a coisa era séria. Não era uma cena fatela. Percebeu que todos os seres humanos merecem todo o respeito. Respeito pelos problemas que dizem ter. E cada um tem os seus.

Os meus não são de saúde. Isso é bom. Nesta idade avançada, não ter problemas de saúde já é uma grande vitória. Podia mesmo aproveitar para fazer saber a todos que eu sou um vitorioso mas isso não teria cabimento neste texto. Este texto é sobre os meus problemas não sobre as minhas nuances… vitoriosas…

Mas afinal quais são os problemas? É legítima, a pergunta. Eu posso responder. Posso sempre dizer que os meus problemas são financeiros. Poder, posso, mas não são os mais importantes. Trabalho, recebo o dinheiro que me dão e gasto de acordo com as necessidades. É uma resposta politicamente correcta, não é? Todos podemos dar esta resposta…  Claro que o dinheiro não chega mas isso, para mim, é um problema, pequenino. Há sempre comida na mesa e, bem ou mal, vamos fazendo as nossas coisinhas (eu sei, parece o discurso miserabilista do tempo da outra senhora) mas esta forma de estar e de lidar com o dinheiro sempre foi assim e não é fruto da crise que vivemos actualmente. Acho o dinheiro importante, e gostava muito de ter… muito, mas o que interessa ter dinheiro se depois não temos a vivência para o saber gastar? É o espírito que deve ser cultivado, enriquecido, valorizado e esse, não tem preço. Já estive em muitos e diversos ambientes sociais, de meios muito distintos e aquilo que me ficou na memória foi sempre o espírito de cada um, a forma como cada um me falou, ou se riu para mim. Isso sim, é importante. As pessoas são todas iguais. Andam todas à procura de amor, de compreensão e de alguém que lhes pisque o olhito…

E o sheik leviano continua a tocar…

E os problemas do homem nunca mais aparecem…

Não há pachorra, literalmente!

Eu sei, ando às voltas. Pelo menos é o que parece, assim, à primeira vista. Mas não é verdade. Um homem desta idade já não sabe como é ir directo ao assunto. Um homem desta idade, não pode, por exemplo (não real e muito afastado da realidade…) chegar à beira, ou à beirinha, de uma moçoila engraçada e dizer-lhe isso mesmo, acrescentando que já agora que se está numa situação aflitiva, também seria bom que os dois se desnudassem e fizessem aquilo que os nossos pais fizeram para que fosse possível que ali estivéssemos.

Agora deu-me uma branca.

Esqueci-me dos meus problemas, literalmente!

Será que eles existem?

Eu tenho uma vaga noção de que existe… qualquer coisita… por resolver, ou mal resolvida… Sei, porque me sopram ao ouvido, que são uns problemas de comunicação. Dificuldades em comunicar com as pessoas. Nada de mais. É o que costumo perceber quando as pessoas discutem sobre o assunto. Aceito. Aceito que as pessoas me vejam como um rapaz? Rapaz não é o melhor atributo. Cota? Também não quero exagerar na rejeição do que me chamam… mas… cota? Perante os meus alunos eu autointitulo-me como o velho, não o cota, e eles acham normal, por isso, cota, não! E com isto, não passo de um ser humano com dificuldades de comunicação.

E os problemas de comunicação?

Fica para outra oportunidade.

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