Dois. Dois milímetros mais escuros.

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Eu era. Era um rapaz à antiga portuguesa. Agora já não sou! Tenho muita pena. Deixei de ser aquilo que era. Se ainda fosse para melhor… era rapaz para aceitar a realidade dos factos. Mas não! Tinha de ser para pior. Portanto, deixei de ser um rapaz à antiga portuguesa para me tornar num qualquer sucedâneo. Estou a ficar igual a muitos outros. Não é que o facto de ser um entre muitos outros me faça diferença. Não faz. Somos todos pequeninos, neste universo, e devemos ter consciência disso mesmo. Mas… eu gostava de sentir que era especial… gostava de sentir que era diferente… gostava de sentir que era eu. E hoje sou um entre… os outros, aqueles que não existem na minha vida. É estranho pensar que podemos ficar iguais a outros personagens. Principalmente aquele tipo de personagens com quem não nos identificamos minimamente. É um pouco como começarmos a engordar e de repente chegarmos aos cem quilos e não percebermos que temos, realmente e efectivamente, cem quilos. É uma realidade alheia. Parece que vivemos no planeta rocher… doce e alienante… se é que me entendes…

Voltando ao início.

O que é que pretendo com toda esta conversa do rapaz à antiga portuguesa?

Bem vistas as coisas… não pretendo nada! Esse é o princípio deste blogue. Não venho  para aqui pretender seja lá o que for. Porquê? É muito simples. Rapaz à antiga portuguesa não vem com conversas para chegar ou pretender alguma coisa mais complicada. Vai directo ao assunto.

Ok, já deu para perceber que eu sou um rapaz à antiga portuguesa com algum tipo de lacuna pois demoro a ir directo ao assunto… mas eu chego lá.

Até podia mudar o discurso par o pobre coitado de ser um daqueles quarenta por cento de portugueses que chegam ao fim do mês sem um euro disponível para gastar num croissant, dos verdadeiros, porque não sobra nada. Podia lamechar-me dessa forma. Não seria mentira nenhuma. Infelizmente. Mas o que me apoquenta a alma não tem nada a ver com o guito. Ok. O guito é importante. É. Mas o meu problema é outro.

O meu problema é…

é…

Eu tenho um problema?

?

Pronto, eu digo!

Eu sou um romântico.

Sim. O verdadeiro romântico! Aquele espírito do século dezoito. De viver por amor e para o amor. Sou eu. É a minha cara. Não sou mais nem menos por ser assim. Por me sentir assim. Pode ser um problema? Pode.

Amanhã, dia dezassete de dezembro do ano de dois mil e treze, eu venho cá explicar a segunda parte da teoria. Aquela parte que explica porque é que ser romântico pode ser um problema…

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