Hoje, podia, ser dia de ir ao pito. Podia. Mas eu sou um romântico.

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Ora vamos lá perceber uma coisa. Este blogue é construído por um adulto, para adultos, pessoas bem estruturadas e que sabem perceber que não passa de um blogue, com a importância que tem. No presente caso, não tem importância absolutamente nenhuma. Esse é o gozo que eu tenho em vir escrever o que me apetece. Ninguém dá a mínima importância ao que eu escrevo e ainda bem que assim é pois, desta forma, não tenho qualquer responsabilidade no que possa suceder após uma leitura mais atenta…

Posto isto, e porque hoje é dia dezassete de Dezembro, vamos ao que interessa: porque é que ser romântico pode ser um problema. Sim, eu cumpro. E cá estou eu para ver se me percebem. Se não perceberem, também não tem problema… o problema mesmo, é ser romântico…

Mas porque é que veio esta conversa do romantismo? Assim do nada. De repente virou romântico? Não me parece. Aquilo que eu acho é que sempre fui, mesmo, um verdadeiro romântico, daqueles que sofrem quando não são correspondidos. E não vamos entrar em filmes estranhos, do género: é um pobre coitado, com uma alma imensa, que ninguém sabe aproveitar… é uma pena… Não é nada disso. Eu sou romântico mas não sou um pobre coitado. Pronto, está bem! Não me consigo adaptar às exigências do mundo moderno. Nunca conseguirei engatar quem quer que seja pela internet. É alguma coisa do outro mundo engatar pela internet? Para mim, é!

Será que sou um anormal por gostar de ouvir a voz das pessoas e olhá-las nos seus olhos? Desconfio que sim. Desconfio que pertenço a uma larga camada de pessoas que preservam a importância do contacto humano e que, por isso mesmo, são vistas como info-excluídas (adoro o termo…) e não merecedoras da atenção e da importância de que são merecedoras. Dá vontade de perguntar: mas eu gosto de um sheik electrónico, não chega para ser aceite? e  sei mexer em computadores (não é “estar” no computador…), também não chega? Ok, já percebi. Tenho mesmo de saber escrever xisdê, tipo, mano, se é que me entendes… and so on… Nunca vou conseguir lá chegar. Mas tenho de saber viver com isso, à força toda, porque são os sinais dos tempos.

Ainda ontem, quando ia de carro trabalhar (estava de chuva e a minha bela Scarabeo contiua parada em casa à espera de “tempo” para a levar à oficina…) liguei o rádio numa antena qualquer (um ou três, vai dar ao mesmo) e estava o doutor Júlio Machado Vaz a falar com uma menina de voz muito agradável, locutora residente, sobre um assunto que me chamou a atenção e me levou a esta verdadeira odisseia…

E qual era o assunto?

Saiu nos jornais.

É pouco?

A média de relações sexuais diminuiu para quatro vírgula oito ou nove… por mês! É uma notícia triste pois se pensarmos no assunto e fizermos as continhas bem feitas… dá, mais ou menos (que eu não sou de contas bem feitas) uma vez por semana. Uma vez por semana? Como é possível? Questionam-se os garanhões. Não acredito, comentam umas para as outras, as jovens atiradiças… ainda ontem estive nos amassos e já estou outra vez com vontade… Há muitas versões sobre o assunto… Fico-me por aqui.

O que me suscitou a curiosidade foi a explicação que o doutor esfregou na cara dos ouvintes: basicamente duas grandes razões; a primeira está relacionada com a falta de condições económicas, com o stresse que se vive quando não há guito para pagar as contas ao fim do mês ou quando se contam os tostõezinhos todos… eu até percebo que a vontade de fazer aquilo se esfume quando chega a hora e uma pessoa se lembra que no dia seguinte poderá ver cortada a água por falta de pagamento e, sendo assim, mais vale não fazer mais nada para não ter de gastar uma águita num banho checo qualquer… A segunda razão, originou toda esta conversa: as pessoas andam com menos vontade de fazer aquilo porque se distraem mais, muito mais, com as novas tecnologias, com as redes sociais e tudo o que está relacionado com a virtualidade da coisa.

Perceberam agora o porquê deste lamento? Não será bem um lamento, será antes uma constatação. As pessoas passaram a comunicar e a expressarem-se através de objectos. Definitivamente esse é o futuro! As pessoas deixaram de falar, olhos nos olhos, sentimentos à mostra… agora é tudo muito mais asséptico, à distância de um teclado… um teclado que vai direitinho aos lugares comuns, sem precisar de grande orientação. Qualquer um é capaz, e mais do que capaz, de inventar uma personagem, com determinado tipo de respostas, daquelas que impressionam até o mais distraído…

E onde cabe um romântico como eu? Não cabe! Essa é a resposta. Estou cansado das relações assépticas, daquelas que não incomodam, que ficam pela rama e que não nos olham nos olhos. E que não fazem a mínima ideia do que somos e do que sentimos.

E foi assim. Um post escrito com uma chicula na boca e muita vontade de ser feliz. Como um verdadeiro romântico.

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