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Ninguém, repito, ninguém deveria ter medo de mostrar e expressar os seus sentimentos.

Percebo que estamos em época de nos preocuparmos com o facto de podermos não conseguir chegar ao final do mês com o guito suficiente para pôr comida na mesa. Essa é a principal preocupação de grande parte dos portugueses. É compreensível.

Mas a vida continua e se não tratarmos bem o nosso espírito a coisa pode ser muito mais insuportável de superar. Sem querer entrar naquela ideia dos “pobres mas honrados” que os nossos governantes actuais tanto fazem questão de passar, é essencial mimar o espírito. É o que eu acho. Sempre achei. A cultura e a educação desempenham um papel fundamental e podem ser a “salvação” para muito boa gente. Mas não chega, pois não?

São os sentimentos das pessoas que as fazem mover. Que as fazem levantar nas manhãs de chuva para irem trabalhar, sem vontade nenhuma. Os sentimentos não têm nada que ver com a crise que vivemos. Os problemas comunicacionais que vivemos nesta época de grande avanço tecnológico é que são preocupantes. As pessoas deixaram de comunicar entre elas. Quer dizer. As pessoas continuam a comunicar mas fazem-no através dos meios tecnológicos. Cada vez comunicam menos com os olhos. Para mim é aflitivo. Sou rapaz à moda antiga. Gosto de tecnologias e acho que estes novos meios de comunicação existem com a mesma finalidade que os automóveis: estão cá para fazermos uso e nos servirmos deles, para alcançarmos o que pretendemos. Parece-me pacífico que assim seja. O que me faz confusão é o isolamento que se verifica, cada vez mais acentuado, das pessoas que passaram a fazer uso destas novas tecnologias. Eu percebo que seja tentador que as pessoas, através de uma maquineta, consigam ser tudo aquilo que desejavam ser… escrevam as coisas mais… mirabolantes (exactamente conforme eu estou aqui a fazer…) ou se façam passar por personagens que não são. Eu percebo isso tudo, que remédio… mas faz-me aflição.

A vida não é assim. Não quero acreditar que assim seja. Se for esse o caminho não quero estar muito mais tempo por cá. Não me interessa nada. Mesmo nada.

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