Podia ser pior!

Chaves Verao 2011 087

Nesta vida temos de aprender a relativizar… as cenas. É importante aprender a relativizar. É uma aprendizagem diária. A nossa vida é uma constante aprendizagem. Está bem assim? Pronto! Estamos sempre a aprender! E quando julgamos que sabemos muitas coisas… logo a seguir tropeçamos e percebemos que, afinal, não sabemos absolutamente nada.

A conversa poderia seguir por muitas outras direcções. Pela vida conjugal. Pelos filhos. Pelas relações familiares. Pelo trabalho. Ui… tanto assunto para meter a cumbersa… em dia. Mas hoje, só hoje, não me apetece nada, mesmo nada, dar atenção aos outros. Só quero pensar em mim. Não é normal, eu sei, mas hoje vou ser eu o protagonista. Pode ser?

As terças feiras são sempre muito estranhas. À terça feira fico na cama toda a manhã. É o único dia da semana em que não me levanto às sete e meia. Acordo a essa hora (não devia mas… é impossível não acordar com a agitação matinal desta casa…) e fico na cama enquanto a minha rica senhora trata de tudo. Tratar de tudo (e quem tem filhos pequenos sabe do que eu estou a falar…) implica por as coisas a andar… roupas, pequenos almoços, pastas, casacos e distribuição pelas escolas dos pequenos seres humanos…

Depois, bem, depois… há sempre um belo momento kitkat que não é para aqui chamado… e a seguir a minha rica senhora arranja-se definitivamente e vai trabalhar. Eu fico na cama, donde nunca saí. É assim à terça feira. É um belo de um ritual. Temos outros mas este é o da terça feira. E à terça feira o tempo sobra, para mim. Tenho tempo de sobra para pensar na minha vida. Quem não gosta de pensar na vida? Tenho a certeza que toda a gente gosta. Eu não sou mais do que os outros, peço desculpa. E fico assim, toda a manhã porque só trabalho ao início da tarde…

E a manhã é variada. Tenho dias em que as terças feiras de manhã são um autêntico martírio e outras que são maravilhosas, depende da minha quadripolaridade… Confesso que divido as manhãs de terça feira de um mês em quatro: uma manhã de terça feira é passada a ler; outra manhã é passada nas redes sociais da moda, sem pensar muito… ; tem outras manhãs que as passo inteiramente a ver filmes e imagens pornográficas (não percebo porquê…); e, finalmente, tem outras manhãs em que estou a olhar para o tecto, literalmente, a pensar na vidinha. Cada manhã no seu género mas eu gosto de todos, os géneros… Não consigo decidir-me a escolher um dos géneros. Acho que todos eles fazem parte da minha quadripolaridade e, como tal, são todos merecedores da minha atenção e carinho… Podia ser racional e escolher um dos géneros. Podia pegar no género mais popular (o dos filmes e imagens pornográficas) e afirmar que esse seria o meu alter ego…

Enfim, deixando a parvoíce da escolha de lado, o que hoje aconteceu foi que estive toda a manhã a pensar na vidinha. Não foi bem uma manhã normal. Foi mesmo atípica porque o início da manhã foi… misturado… com a minha rica senhora pelo meio a desejar-me o melhor para a minha vida… Apesar de toda essa confusão inicial, sobrevivi e consegui passar o resto, do que sobrou da manhã, a pensar na vidinha.

E que vidinha tem sido a minha?

Tenho cá para mim que tem sido uma boa vida. Não muito perceptível para toda a gente. Aliás, há muita gente que não me percebe. Se calhar não tem de perceber e eu também não estou muito preocupado com essa incapacidade… das pessoas em não me perceberem.

De repente percebo que este texto está a ficar enorme e que a imensidão daquilo que eu tenho para escrever é… tamanha, que me leva a pensar que esta minha abordagem está errada. Teria de escrever tudo, e quando digo tudo é mesmo tudo, de uma só penada, num outro suporte e depois dividir tudo em partes para que, na melhor das hipóteses, apareçam uns quantos corajosos com vontade de ler o que se passa comigo e com a minha vida.

Abreviando, portanto, apenas quero acrescentar que estive a pensar na minha recente carreira desportiva. Confesso que achei que podia correr aquilo já que consigo fazer aquilo… Percebi que são duas coisas diferentes. Fazer aquilo e correr aquilo, não tem nada que ver uma coisa com a outra. É pena. Por muito que a malta ache que fazer aquilo é o suficiente para aguentar correr aquilo… não é! Ponto final. Também não posso achar que são coisas comparáveis, em boa das verdades. Seria muito bom que correr aquilo apenas dependesse da emoção com que encaramos fazer aquilo. É diferente…

Mas eu tentei. De uma forma muito pessoal, como não poderia deixar de ser, tentei preparar-me para conseguir correr aquilo. Sou rapaz entradote e, por isso mesmo, tive que pensar num plano eficaz. Lentamente, fui vendo como corriam as coisas, com um olho aberto e outro meio fechado lá fui fazendo as coisas… pé, ante pé, como quem não quer a coisa, lá fui aumentando o tempo e a distância. Mas, e há sempre um mas… a idade não perdoa e os exageros acabam sempre por se pagar. Estou a menos de um mês de fazer cinquenta e três anos, porra!

É mais um degrau na minha vida, que foi necessário perceber, a bem ou a mal, mas que me deixou tranquilo porque percebi a minha capacidade em mobilizar a minha… vontade.

Tanto texto para chegar ao fim e perceber que já não vou correr aquilo mas que vou continuar a fazer aquilo.

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