Nada de especial… apenas um ar um pouco deslocado… da realidade…

Natal em Viana

Ora vamos lá a isto. Isto, quer dizer assunto sério. Aliás, isto e aquilo, são sempre assuntos sérios. Não é fácil falar disto e daquilo. É mesmo difícil, até. O assunto do dia de hoje é sexo. Não propriamente sobre o orgão sexual em si. Cada um tem o seu e sabe de si. Por isso, Isso, não passa disso mesmo. O assunto é sobre a vida sexual do ser humano.

Allôôôô?

Vida sexual do ser humano? Geralmente as antenas ficam no ar. O ser humano que tem vida sexual, o mesmo do assunto, gosta sempre de aguçar a curiosidade sobre o dito cujo. Mas o ser humano não gosta de correr riscos sobre esse assunto. Não gosta de se expor. Mas gosta que os outros ponham a boca no trombone. Que se espalhem ao comprido, por assim dizer, para depois apontarem o dedo ou fazerem troça (assim, de repente, até parece um desabafo de adolescente…). Eu confesso que não tenho muita paciência para maldizentes sexuais. É um tipo de conversa degenerativa. Começa sempre com muita elevação mas acaba, invariavelmente, na auto afirmação… ah, e tal, porque eu fiz assim e foi fantástico/maravilhoso/espectacular/dooutromundo… convenhamos que não há pachorra. Mas a vida é isso mesmo. Uns dias levamos com garanhões e garanhonas e num outro dia qualquer levamos com quê? Com mais garanhões e garanhonas.

Voltando atrás: a vida é assim mesmo e eu tenho a minha. Pensando bem, eu tenho uma vida dupla. Passo a explicar. A minha vida como ser humano social e a minha vida como ser humano sexual. Então não são “ambas as duas” a mesma coisa? No meu caso, não! Gosto de pensar que sou um ser humano sem implantação social, sem qualquer tipo de interesse social. Mas já não gosto nada de pensar que sou um ser humano sem qualquer tipo de interesse sexual.

Estou, evidentemente, a falar do meu interesse. Para que não se confundam as coisas, eu não estou a falar de me achar ou não interessante sexualmente. Essa é uma discussão que não me diz respeito. Eu estou mesmo a falar do meu interesse sexual, já que o interesse social deixou de ter qualquer tipo de interesse para a conversa…

Voltando ao assunto. Repito. Eu tenho interesse sexual. Não posso estar aqui a falar dos pormenores sórdidos das minhas relações sexuais… com a minha rica senhora. Não é coisa para aqui chamada. Mas posso falar do que representam para mim as relações sexuais… na generalidade… (eu sei, é menos interessante…) mas é o que se pode arranjar.

Ao longo da minha vida, que já está a ficar comprida de mais para o meu gosto, fui tendo umas quantas relações afectivas. As minhas relações afectivas foram sempre em função do que essas pessoas representavam para mim. Não há como esconder isso. Todos as pessoas vivem em função do que as outras podem acrescentar à sua própria vida. Comigo também foi sempre assim. Felizmente, sempre tive relações afectivas que me deixaram uma mais valia qualquer. Uma deixou isto e outra aquilo. Não posso negar que sou uma pessoa de sorte. Ponto.

As minhas relações nunca primaram pela escolha de um corpo assim ou assado. Aliás, não consigo perceber o que quer dizer “ah, eu gosto delas loiras”, “bagh, eu gosto delas morenas”, Urgh, eu gosto delas mamudas” ou então “ufa, eu acho-lhes mais piada se forem magrinhas”… tudo conversa da treta. O que interessa mesmo é aquela parte do cérebro que nos coloca em sentido. Aqueles olhos que nos fazem sentir o que temos de fazer. Aqueles lábios que nos deixam perdidos, com os olhos fechados, a acharmos que o mundo vai acabar. E podia ficar por aqui a divagar. Podia, mas não posso. O texto vai longo… por isso pergunto-me. Nessas relações todas, o que interessou mais? O belo do corpinho ou a bela da intensidade afectiva? Será preciso escrever a resposta?

Não me parece.

Também me parece que sou um romântico. Um eterno romântico. Daqueles que não consegue perceber que o seu tempo mental é muito diferente do tempo mental que se vive hoje em dia. Foi. Foi assim há muitos anos. Já ninguém é assim. Ponto.

E como todo este texto começa a ficar muito baralhado, voltemos ao início do seu propósito. Sexo. Não consigo pensar em sexo sem ser um complemento da paixão ou, vá lá, do amor… e se não existir aquela envolvência mental… a coisa não funciona. Não vale a pena. Comigo não funciona. Funciona com muitos outros. Problema deles. Eu é mais bolos.

Também gosto de sexo todos os dias, tal e qual como comer bolos todos os dias. Infelizmente a coisa não se proporciona. Por vários motivos. O motivo mais relevante é a minha idade avançada que já não me permite agarrar na minha rica senhora e atirá-la ao ar, dar duas cambalhotas e nova corrida, nova viagem… Hoje em dia aquilo é mais pausado mas muito mais intenso. Se lermos isto repentinamente… até parece uma desculpa de mau pagador… ah, e tal, aquilo acontece menos vezes mas é muito melhor do que era… qualidade, mano, qualidade… É uma grande treta. Eu não me importava nada de ter menos vinte anos e poder fazer o pino enquanto comia uns tremoços, tocava piano e falava francês…

Assim sendo, só me resta saber aproveitar a vida, tentar ser feliz e, se conseguir, tocar na sensibilidade dos que me rodeiam.

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