Segue-se um texto tortuoso, pouco claro e com imagem a condizer. Peço desculpa mas todos nós temos os nossos dias maus.

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Eu não sou um rapaz para ser levado a sério. Sou sério mas não quero ser levado a sério. É feitio. Mas gosto de assuntos sérios. É um clássico na minha conversa… assuntos sérios… Devo ter a mania, é o que é! Quem me conhece, bem, sabe que eu gosto de cultivar a seriedade das coisas. Gosto de comunicar de uma forma rigorosa. Aliás, volto sempre ao tema, pois a comunicação é a nossa mais valia. Saber comunicar é meio caminho andado para nos sentirmos bem, para sentirmos que nos entendem. Quem não gosta de ser… entendido? Todos nós gostamos de saber que há alguém, por esse mundo fora, que nos compreende. É uma espécie de reconforto moral. Não interessa o que daí advém. Basta o reconforto.

Se calhar, pode parecer uma visão muito redutora. Para mim não é. Basta-me saber que quem me ouve o faz porque acha que faz sentido… aquilo que eu digo. Posso querer melhor? Não me parece.

Mudando de assunto.

Ultimamente tenho dado aulas a turmas do ensino secundário. Tirando a parte dos conteúdos programáticos, esforço-me por ter um discurso que acrescente qualquer coisa aos meus alunos. Nem sempre sou bem sucedido, tenho de o reconhecer. Por várias razões. A principal razão para o meu insucesso está relacionada com o facto de não conseguir adequar a forma e o conteúdo do meu discurso à realidade da sala de aula, à realidade vivencial dos meus alunos. Acho sempre que todos os meus alunos me vão escutar com o maior dos interesses. Sou um eterno ingénuo, para não me classificar de convencido… porque… estou mesmo convencido que posso acrescentar mais um poucochinho às vidas deles. Dá-me a impressão que só eu é que acredito nisso e eles devem-me achar um cota alucinado que vive fora da realidade. Se calhar têm razão e eu sou mesmo as duas coisas… Mas é tão bom acreditar que posso continuar a ser assim. É tão bom pensar e acreditar que posso acrescentar qualquer coisinha positiva à vida de um aluno que está na mesma sala de aula que eu…

Mas os tempos estão difíceis. A escola, como instituição, está muito diferente. Eu sou o mesmo. Que fazer? Adaptar o discurso? Pode ser. Mas eu sou o mesmo rapaz que cresceu num bairro, há cinquenta e tal anos atrás, que sabia valorizar a amizade, o companheirismo e que respeitava a autoridade de um professor. Hoje em dia, o professor tem de conquistar a sua autoridade… e, muito frequentemente, corre o risco de que confundam a sua autoridade com autoritarismo… que foi tão bem amado no tempo da outra senhora.

Pronto, está na hora de mudar, novamente, de assunto.

E como o assunto não aparece…

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