Eu me confesso.

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Este título é assustador. É a fugir para o intimista. E eu confesso que sou um quanto ou nada intimista. Digamos que tenho uma tendência despudorada em abordar a minha intimidade. Não sei porquê. Aliás, farto-me de ouvir o que gosto e o que não gosto por ser assim. Um desbocado. Também não sou um desbocado especial. Sou um desbocado normal… Só que a maior parte das pessoas não é desbocada. Preserva-se, portanto. Eu acho que não deve ser assim, a vida, e ponho-me a armar em giro… mas isso sou eu…

Tenho para mim que é uma fase… que vai passar… que um dia vou tomar juízo… que um dia vou ter um dissabor do tamanho da torre Eiffel… que me vai deixar de rastos e, finalmente, vou aprender…

Tenho dúvidas.

Enquanto a vida me deixar e a audição permitir, eu sei que vou continuar igualzinho ao que sempre fui. Por isso, vamos a isso!

Eu me confesso.

Por vezes tenho períodos na minha vida em que me sinto completamente perdido. Em que não me reconheço. Poderiam ser momentos trágicos. Mas não são. Eu não deixo que o sejam. Presunção? Não. Apenas um conhecimento muito grande das minhas vontades. Bipolaridade? É pouco. Tripolaridade? Esse é um assunto que diz respeito à minha rica senhora. Eu sou mesmo quadripolar. E a quadripolaridade não tem um padrão, certo? Esse é o meu padrão… Ou seja, ninguém manda na minha quadripolaridade. Ou ainda, ninguém sabe quem eu sou. Por outras palavras, ninguém me conhece verdadeiramente. Está bem assim? Não é nada pessoal. É um modo de funcionamento.

Vou e venho.

Às vezes, vou e venho já.

É por estas e por outras que a audição é fundamental. Porque ajuda. Ajuda a ordenar as ideias.

Por isso, eu me confesso.

Tal e qual a audição, também a vida das pessoas não é fácil. Tal e qual a audição, por vezes é difícil encontrar o caminho. É necessário insistir. É preciso não baixar os braços. Por muito que o caminho possa parecer estranho. E a maioria das vezes é estranho. É preciso ter a percepção de que pode estar perto, o trilho certo. Eu confesso que estou a falar de cor. Nunca andei perto de nada. Sempre andei no trilho certo. Não sou exemplo para ninguém mas também não tenho culpa de ter sido sempre um felizardo. É a vida. A minha vida. Que posso fazer? Que culpa eu tenho se as pessoas que me rodeiam e que são minhas amigas me presenteiam com o seu cuidado? Só tenho mesmo é de me sentir um felizardo. E é com elas que eu me confesso diariamente. Porque eu mereço e elas merecem. Somos iguais. Nas vontades. Nos propósitos. Na comunhão.

É para essas pessoas. Obrigado.

 

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