Viva o benfica (cruzescanhotolivraimedestemalamen)

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Independentemente da cor… clubística, já todos percebemos, a bem ou a mal, que a grande maioria do país é adepta do clube das gaivotas. São, realmente muitos. Quem tivesse dúvidas, facilmente percebeu que não havia motivos para duvidar… bastaram cinco minutos de imagens televisivas para que o vermelho ficasse na retina, colado. Só não vê quem não quer ver. O país é mesmo vermelho. Claro que a seguir a esta constatação surge a tentação de afirmar que… é por isso que temos o país que temos… mas essa é uma afirmação demasiado básica… e para básicos já bastam os do costume. Mas adiante. O maior clube português ganhou o campeonato. Está, portanto, de parabéns. É normal, quem ganha está sempre de parabéns. Foi mais forte do que os outros. Não vale a pena inventar mais nada. Se foi por serem mais fortes ou se foi por demérito dos outros não interessa mesmo nada. Cada clube deve pensar no trabalho que desenvolveu. Nos seus pontos fortes e nos seus pontos fracos. E acrescentar mais qualquer coisa de positivo. Esse é que é o caminho.

Toda a gente sabe que o fêcêpê é o meu clube. Para mim, como não poderia deixar de ser, é o melhor clube do mundo. Sou um exagerado porque me devia conter ao nosso país. Seria mais realista e verdadeiro. Para ser o melhor do mundo… precisava de ter o dobro do orçamento… e tal não é possível… por isso, fiquemos por Portugal. Por cá não temos rival! Assim, à primeira impressão, parece uma afirmação um pouco arrogante. Parece, mas não é, nem de longe nem de perto. E aqui chegados, surgem as comparações… ah, e tal, o clube das gaivotas tem mais títulos de campeão nacional… ainda agora conquistaram o trigésimo terceiro… E depois? Todos sabemos que o fêcêpê tem mais títulos conquistados e melhor palmarés (não, não vou explicar novamente o que quer dizer e o que é palmarés!). Todos sabemos que o clube das gaivotas conquistou o grosso dos campeonatos no tempo da outra senhora. Nem de propósito, estamos quase a comemorar o derrube do regime que caracterizou essa tal senhora… Mas foi nesse tempo que foram conquistados os títulos gaivoteanos… pois nessa altura eram imparáveis e não tinham concorrência. Depois a coisa mudou. Mudou muito. A província mudou. Os provincianos cresceram. Cresceram muito. Deixaram de estar dependentes da capital. O dinheiro e as oportunidades continuam na capital mas o resto do país consegue trabalhar, criar riqueza, divertir-se, praticar desporto e, pasme-se, ganhar em quase todas as modalidades existentes… Parece incrível, não parece? Como é possível que a província tenha conseguido esta autonomia e tenha escapado ao controle da capital? Como foi isto suceder?

Pois é! Apesar do resto do país ainda ser considerado provinciano, há muitas regiões deste país que se foram organizando, desenvolvendo e conseguiram alcançar notoriedade. O Porto, como região, conseguiu um estatuto que já não precisa de apresentações. Pronto, precisa do guito do QREN, que deve ir, novamente em massa, lá para baixo… mas tornou-se numa região com vida própria como, aliás, sempre foi.

E voltando atrás, o fêcêpê soube organizar-se. Soube construir uma empresa sólida. Uma máquina de títulos que todos os anos (ou pelo menos ciclicamente) tentam arrastar para a lama, para o descrédito. Quer concordemos ou não, a capital continua a deter e a exercer o seu poder junto dos meios de comunicação e todos sabemos que uma imagem pode ser construída com base em pressupostos que não existem (… foi assim que o primeiro ministro lá foi parar…) e a manipulação da verdade pode ser um assunto… banal.

Como maior exemplo temos a história da fruta. A fruta que está associada ao sucesso do fêcêpê. Estes casos fortuitos, que sucederam, não são diferentes daqueles que também sucederam nos tempos da outra senhora, que estão associados ao clube da gaivota, e não só, que estão amplamente documentados… mas não divulgados. Os casos relacionados com o fêcêpê, curiosamente, coincidem com a segunda vaga de sucesso internacional. Estão datados e “aconteceram” quando o sucesso internacional foi mais evidente. Não há uma explicação lógica… ou, pelo menos, não convém que haja. Mas servem um propósito: desvalorizar o sucesso de uma equipa de futebol, representativa de uma região.

Apreciador de gaivota, que é um verdadeiro apreciador de gaivota, associa o sucesso do fêcêpê à fruta. É o tipo de discurso primário que se espera do apreciador de gaivota. Faz-me lembrar aquele tipo de discurso do anticomunista primário, sem argumentos e digno da maior indiferença. Confesso que não tenho muita paciência. tenho de lidar todos os dias com apreciadores da gaivota mas só dou atenção e carinho àqueles que não são básicos… os outros… ohbalhamedeusquenãoosaguento…

Chegados aqui, se fizerem um exercício de memória, e se equacionarem o facto do fêcêpê ter ganho, nos últimos TRINTA ANOS qualquer coisa como VINTE campeonatos de futebol contra sete do clube das gaivotas… vão-se lembrar, com toda a certeza, que o tempo de antena gasto com o melhor clube de futebol em Portugal foi… escasso? Pode ser esta palavra? Escasso. Se calhar, se somarmos o tempo de antena gasto com VINTE campeonatos não chega, sequer, a metade daquele que foi gasto no passado domingo, em que os telejornais deixaram de ter notícias para além do… sétimo campeonato conquistado em TRINTA anos pelo clube da gaivota.

Tirando estes pormenores, o clube da gaivota está de parabéns. Ganhou o campeonato. Que mais há a dizer? Eu cá não tenho mais nada a acrescentar mas… se forem perguntar ao calimero de serviço… nunca se sabe… há sempre uma queixinha ranhosa à espera de si…

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