Começou e agora não se sabe como vai acabar…

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Quando me dá para ouvir um determinado tipo de música… fico sempre com medo. Eu sei. A música não nos deve trazer sentimentos de… receio. A música deve ser um factor de potencialização das nossa capacidades… emotivas, racionais e tudo o mais. Nunca deve trazer para a nossa vida qualquer tipo de receio. Mas a mim, deixa-me receoso. Deixa-me num estado emocional… vivo… por assim dizer. Quando me ponho a ouvir músicas com letra… consigo vacilar. Consigo deixar-me levar pela emoção.

Há quarenta anos atrás, confesso, não ouvi a musiquinha com uma letra que deixou todos os portugueses com vontade de terem… vida. Não me interessa saber se este ou aquele são mais ou menos reaccionários ou se são mais ou menos esquerdistas palermas do que o seu semelhante, da rua direita ou da rua escura… Não quero mesmo saber. Interessa-me a pessoa. Essa pessoa que pode acrescentar alguma coisa às nossas vidas.Não posso pensar nessas pessoas sem antes pensar que eu só consigo pensar (três vezes a pensar…) neste assunto porque, há quarenta anos atrás, aconteceu o que tinha de acontecer. Independentemente do facto do capitão A ou B ter achado que estava a ser mal pago para combater na guerra colonial ou do facto do capitão América achar que tudo aquilo estava a dar demasiado trabalho… independentemente dessas razões todas, legítimas, o que se tornou um dado objectivo foi o facto dos ditos cujos se terem juntado para fazerem uma revolução.

Andamos todos por cá, nos blogues, nos facebooks ou nos twitters porque os ditos senhores fizeram uma revolução. Foi uma revolução bonita, ou não foi? Para mim foi. Mais cinco ou seis anos e eu estaria a bater com os costados numa guerra que ninguém percebia porque é que existia. Pode parecer um pormenor insignificante mas para mim, que nasci no ano em que a guerra começou… não era propriamente uma insignificância ter que ir para a guerra. Lembro-me de se falar nisso à mesa. Também me lembro de outras conversas, conversas que ficavam para além dos meus ouvidos mas que eu sabia que deveriam manter-se… inaudíveis.

Não consigo escrever nada de muito especial porque me posso permitir não… conseguir escrever. Essa conquista já não é valorizada e ainda bem. É sinal que está enraizada  Que faz parte da nossa vida.

Mas que deve ter sido difícil. Que deve ter sido difícil pegar nas armas e arrancar com a logística necessária para fazer uma revolução… lá isso deve ter sido.

O resto. O que surgiu após a revolução foi… o que quisemos que acontecesse. Temos pena. Somos todos responsáveis por tudo. Por tudo o que aconteceu de bom e por tudo o que aconteceu de mau. Não adianta estarmos a apontar. Somos um povo. E o povo é soberano. Ponto.

Uma treta de conversa.

Eu não quero saber do povo. Também não quero saber do não-povo. Quero que ambos encontrem o seu caminho… para além das montanhas. Eu vou continuar por aqui, portanto…

2 thoughts on “Começou e agora não se sabe como vai acabar…

  1. António Grifo

    Concordo! Como povo que somos, temos que encontrar outro caminho, mesmo que tenhamos que partir pedra e furar a montanha!

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