Arquivo mensal: Abril 2014

Eu avisei. Amanhã faço cinquenta e três anos e tudo me é permitido, na véspera!

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Eu bem dizia. Ainda cá vinha, novamente, para espalhar… magia… Que tal? Azeiteirola? Pois! Não adianta nada ser do bem se somos uns grandes azeiteirolas! E eu tenho de confessar. Sou um azeiteirola! Daqueles que a minha rica senhora diz que fariam sucesso. Daqueles que conseguem fingir que cantam. Daqueles que, para além de fingirem que cantam, também conseguem articular duas frases seguidas sem qualquer tipo de palavra desalinhada. Eu gosto de frases com palavras alinhadas. Gosto mesmo de alinhar palavras. Podem ser umas atrás das outras. Todas direitinhas. As pessoas gostam de ouvir palavras direitinhas. Quando as pessoas ouvem uma sequência de palavras, todas direitinhas, sem grandes variações de timbre, gostam. Gostam porque fazem parte de um sentido cósmico qualquer, que só elas sabem reconhecer… Bem, elas e mais uns milhares de outras pessoas que também estão à espera que uma sequência de palavras direitinhas caia na vida delas.

E é neste conjunto de palavras direitinhas que eu apareço. Ou melhor, gostava de aparecer. Sim, porque eu gostava de ser um daqueles que fingem que cantam. Mas não sou. Porque eu canto! Algum dia teria de confessar esta minha virtude. Eu canto! Não fiquem a achar que eu digo isto só porque amanhã faço cinquenta e três anos. Podia ser, mas não é. É mesmo pura convicção. Eu canto mesmo!

E porque neste género de texto tem de haver um final, só me apraz dizer que um dia, não muito longínquo, vão ter a oportunidade de me ouvirem cantar. Assim, sem mais.

Se calhar, mais logo, ainda cá venho escrever alguma coisa mais… do bem!

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Os dias são todos diferentes. Hoje é véspera do meu aniversário. Amanhã, portanto, vou fazer cinquenta e três anos. Será um dia diferente dos outros porque já sei que vou andar numa roda viva. Vai ser um dia que marca uma vida que se foi e uma vida que se mantém, inabalável, no desejo de ser vivida em harmonia, pujança e paz. É difícil conjugar tudo numa só vida… ainda por cima de um rapaz que não é lá muito escorreito das ideias…

Os dias de aniversário não devem ser de reflexão. Eles existem para serem vividos. Os  meus têm sido vividos de formas diversas. Umas vezes são dias fantásticos e outras vezes são dias difíceis. Tenho dias, por assim dizer… Mas o dia, em si, não interessa para nada. É apenas uma data. O que me interessa como… ser humano… é fazer o balanço de uma vida… vivida… (isto hoje está cheio de lugares comuns, pleonasmos e coisas que o valham, para variar, mais uma vez!) sem desculpas. E os balanços são uma coisa tão difícil de se fazer… Quem é que consegue fazer um balanço da sua vida aos cinquenta e três anos? Quem? Pouca gente! Ninguém faz um balanço da sua vida aos cinquenta e três anos. É demasiado cedo. Com essa idade ainda não se consegue ter uma visão global do caminho trilhado nem do que nos rodeia ou do que nos falta percorrer. Ainda é demasiado focado na existência individual (ou não dá para perceber que estes textos são muito eu, eu, eu, beijinho no braço, o meu…?). Também não vale a pena crucificarem-me por ter o meu ritmo. Cada um tem o seu. Aliás, há muito boa gentinha que se vai desta para melhor sem conseguir perceber o que veio cá fazer. É um pouco crú dizer as coisas desta maneira mas todos nós temos um papel qualquer a desempenhar neste mundo. Essa é a minha percepção. Uns andam por aqui a distribuir maldade. Maldade atrás das orelhas, por baixo dos braços ou ainda por cima do ombro. Outros não vão perceber o que andam a fazer. Talvez um dia. Mas tem outros que andam em busca do bem.

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Fiz um parágrafo porque é necessário respirar fundo. Será que o tipo, em vésperas de fazer cinquenta e três anos virou esotérico? Virou do bem? Virou um ser humano que busca dar as mãos, fechar os olhos e ficar à espera que o bem desça e entre em nossas mentes? And so on…

Novo parágrafo porque não é nada disso.

Eu apenas queria dizer que todos temos um trabalhinho para realizar. O meu, apesar das desorientações conhecidas, espero que venha acrescentar um pequeno pormenor positivo à vida de alguém. É presunção minha. Peço que me desculpem mas eu não sou perfeito.

Os textos sobre raparigas podem, nem sempre, mas podem, ser complicados e de difícil leitura. A fotografia é dúbia.

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Chega a esta horinha e é remédio santo. Ah e tal, a barriguinha cheia… tenho de fazer bem a digestão porque senão posso morrer de congestão, durante a noite… Um digestivo agora é que ia mesmo a calhar… E assim se começa a noite. No caso presente… a minha rica senhora foi a um jantar que eu não sei lá muito bem do quê… mas deve ser do bem, por isso, eu também vou ficar bem, a fazer a digestão como deve ser. E, enquanto a digestão vai fluindo… eu ponho-me a pensar na vida (como se ninguém soubesse que aquilo que eu mais gosto de fazer é… pensar na vida…), nalguns aspectos que me deixam curioso. Será que todos os seres humanos são como eu? Ou sou eu que sou como os outros? A curiosidade ainda está generalista. Ainda não dá para se perceber o que é que eu realmente acho curioso. Mas eu passo a explicar.

Se eu não voltar àquela conversa antiga de que sou um rapaz que gostava de ser rapariga e partir para a convicção de que sou mesmo um rapaz que gosta mesmo de raparigas, facilmente vou parar a um dilema. Um dilema que me deixa a pensar. Aliás, é um dilema que dura e me preenche a vida há muitos anos. Porque razão as raparigas não devem entrar na minha vida com o belo do corpinho à frente? Por outras palavras, porque razão é que as raparigas sempre entraram com a mente (esta palavra não traduz aquilo que eu sinto em relação às raparigas mas é o que se pode arranjar) à frente na minha vida? Ou ainda, porque raio de carga de água é que eu sempre achei mais piada às raparigas como seres humanos… em vez de… um corpo com… voz própria…? Pronto. Para não ser crucifixado porque estamos perto da Páscoa e eu até sei que é uma época religiosa… vou mesmo esclarecer o seguinte. Eu não quero nada saber, mesmo nada saber, se as raparigas são coxudas (que só por acaso eu gosto delas coxudas), se têm o peito grande ou pequeno (também é coincidência eu gostar de um peito farto, por assim dizer…), se o rabo mexe para cima e para baixo (no caso gosto dele… grande…), se as mãos são papudinhas (só têm de parecer decididas a agarrar aquilo que devem agarrar…), e ando às voltas para conseguir encontrar um outro atributo físico para o qual eu não devo prestar a mínima atenção (tirando a boca, os olhos, a pele, o cabelo e o pescoço… não estou a ver mais nada que me possa interessar (de uma forma desinteressada) numa rapariga (há quem aprecie o belo do pé com a pulseirinha no tornozelo, a unha pintada com o belo do rato Mikey, as belas das madeixas e por aí fora) (com tantos parentesis de certeza que a confusão sobre as raparigas aumentou exponencialmente) mas não encontro mais nenhum atributo… ufa, acabou-se o parágrafo.

Passando para trás das costas a introdução, convém reter a ideia de que eu sou rapaz que gosta mesmo do universo feminino. Tão somente isso. De uma forma simples, vou conseguindo perceber as raparigas. E essa, é uma mais valia que fica na minha vida.

Não são horas decentes, mas também ninguém quer saber disso para nada…

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A solidão é uma forma de viver. Não é fácil viver com a solidão a rondar, por perto. Quem disser o contrário é porque não sabe o que é viver com a solidão. Quando muito teve uns episódios em que se encontrou sozinho perante a vida e achou logo que era o fim do mundo. Geralmente, não é o fim do mundo. Apenas se trata da nossa incompetência para lidarmos de forma adequada com os nossos sentimentos. O ser humano tem destas coisas. Tem tendência em confundir tudo. Neste caso, eu não sou um ser humano. Já basta de… ser, ainda por cima, humano… Eu confundo outras coisas, outras cenas. A solidão não me confunde. Sei lidar muito bem com ela. E aqui, que ninguém nos ouve, posso confessar que sempre fui um solitário. Um daqueles solitários que sabe viver no meio dos outros… seres humanos. Sou um rapaz, que gosta de raparigas (e que por vezes gostava de ser rapariga…), que gosta de trabalhar e viver em perfeita harmonia na sociedade onde está inserido. Assim, sem desconfianças, pareço um ser humano (agora sim) perfeitamente normal. Pareço, mas não sou. Também não sou um anormal,  apenas o sou no sentido de fugir à norma. Sou um rapaz solitário, no bom sentido do termo. O que não é bom mas também não é mau.

Passando por cima da conversa meio palerma em que me estava a enredar, é bom perceber, todos nós percebermos, que a solidão pode ser uma vivência muito positiva. Normalmente é encarada como uma desgraça. Eu não vejo as coisas dessa forma, nem de longe nem de perto. Encaro a solidão como uma forma de me conhecer um poucochinho melhor. Foi assim que cheguei à conclusão que gostava de, muito remotamente, ser uma rapariga. É sempre assim. Nos meus momentos de absoluta solidão, consigo perceber melhor a minha vida, os meus gostos, as minhas necessidades, as minhas vontades. Visto e lido desta maneira assusta. É tudo muito meu, minha, centrado em mim. Também, mas não só. O mundo, quer queiramos ou não, parte sempre de nós. Temos que gostar de nós para podermos gostar dos outros. É um clássico que não adianta tentar contrariar. Depois de nós estarmos bem, aparecem os outros, certo? E os outros ocupam um espaço enorme na nossa vida. Às vezes, grande de mais. Em demasia. Mas são importantes. E é nos momentos de solidão que melhor conseguimos pensar nos outros. No que eles representam para nós (outra vez o eu…) e como conseguimos encontrar um ponto de equilíbrio onde encaixar um outro ser humano na nossa vida.

Estou com um discurso muito… embaralhado, parte, reparte e volta ao mesmo? Sinceramente, espero bem que não. É que estou num momento de solidão e se este momento de solidão é confuso… não quero nem sequer pensar na minha vida…

Devo ser de uma espécie de ursos que não hibernam. Resultado: ando parvo de todo.

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Pensava eu que os “momentos” eram coisas passageiras. Pensava mas, na realidade, não são. Demoram o seu tempo. No meu caso, têm tendência a agravar. Ficam uns “momentos” gigantones e com sabor a gelado de baunilha ou coisa que o valha. Se a esta tendência juntarmos uma outra, a de perder a lucidez, a coisa complica mesmo. No meu caso (e o assunto é sempre “no meu caso”) consigo ter a capacidade de entrar num bloqueio total, que me deixa num quase estado vegetativo, sem capacidade de tomar as decisões certas. Eu sei. Não conseguir tomar as decisões certas acontece a muito boa gente. Só que eu não sou gente e muito menos boa gente. Sou rapaz para cair no mais comum dos lugares comuns mas não sou boa gente. Muito menos quando estou nos meus “momentos”. Fico intratável. Fico rude (sim, rude, que é coisinha nada edificante…) e sou capaz de ultrapassar os limites do razoável. Ninguém tem obrigação de conviver com uma pessoa assim por isso, nestas alturas, será sempre melhor eu ir para o meu canto. Isolado sou melhor pessoa. Não é por mal. É feitio.

Título – Podia ser como os ursos. Hibernava. Era mais fácil. Subtítulo – Podia ser um urso polar. São mais fofinhos.

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O ser humano tem os seus “momentos”. Já se está mesmo a ver o que vem a seguir… Eu sou um ser humano! Só podia! Logo tenho os meus momentos. Normalmente, tenho momentos bons, de bem com a vida. Mas isso é normalmente. Também tenho cinquenta e dois anos, normalmente. O pior é quando aparecem os “momentos”, aqueles que nos aparecem anormalmente. Os meus são do piorio. Aparecem sempre quando não devem. Os meus são uns filhos da puta. Mas tenho de os receber na minha vida, de preferência de uma forma fria e distante para não me deixar levar na treta deles, os tais “momentos” que aparecem anormalmente.

Mas, lá está, eu sou um ser humano. Tenho as minhas fraquezas… Não parece, eu sei. Toda a gente acha que eu não tenho os meus “momentos”. Desenganem-se. Eu tenho “momentos” muito fortes. Para o bem e para o mal, comigo tudo tem de ser intenso. Uma perfeita parvoíce, eu sei. Devia só “meter” intensidade nos momentos bons (sem aspas) e tirar o máximo do prazer e quando chegassem os “momentos” estranhos… desligava aquela parte do cérebro que nunca deve estar ligada quando os “momentos” tomam conta da nossa vida. Mas, lá está (novamente), a vida não é propriamente um assunto com o qual podemos lidar de igual para igual. O raio da vida teima em fazer do ser humano gato sapato (gato sapato é uma daquelas expressões que nunca consegui entender…)

Isto tudo para conseguir perceber que ando cansado. Muito cansado. Com a sensação de que não nasci para levar a vida que levo. Quando assim ando, não consigo perceber o lado bom da vida. Sou um triste. Um desgraçadinho. E passo a vida auto-flagelar-me (sem cilício…). Claro que ninguém se apercebe… até… eu meter a boca no trombone…

Mas também tenho de confessar que meter a boca no trombone é sinal que os “momentos” estão em fase de rescaldo. Já não me afectam. Mas que deixaram marcas… disso não tenho eu dúvidas.

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Se eu fosse um poeta, iria juntar uma data de palavras relacionadas com cicatrizes, vida, sentido, misturava um fundo abrangente e daí… brotava algo… de muito sensível e belo. Mas não sou. Sou apenas um ser humano.

Aqui fica o ursinho polar que eu gostava de ser….

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