Fiz uma pausa. Escrevi o título antes de acabar porque tive consciência de que, por estes lados, reina um enorme… prazer em… viver a vida? Custou, mas foi!

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Sou rapaz entradote. É um dado adquirido. Mas sou rapaz para gostar da vida. Sou rapaz para gostar de tudo aquilo que pode parecer mais improvável. Não é por uma questão de querer andar em biquinhos… de pés, para dar nas vistas. Não. É uma questão de feitio. Gosto que ninguém saiba aquilo que eu gosto ou penso. Eu sei que não é fácil. Também sei que umas vezes posso ser bem compreendido e outras vezes posso ser confundido com o verdadeiro energúmeno. O verdadeiro energúmeno português. Mas não sou. Volto a frisar: é uma questão de feitio… Gosto mesmo de dizer o que bem me apetece. Também tenho consciência de que não posso abrir a matraca sempre que me apetece. Por uma questão de educação, digamos assim. Não me adianta nada ser malcriado. Se adiantasse, eu não me ensaiava nada em ser malcriado. Mas não adianta rigorosamente nada.

Apesar de ser entradote, não me considero o dono da verdade. Quero dizer, da verdade universal, porque da minha verdade… nem vale a pena comentar… é uma verdade tipo… de La Palisse…

Isto tudo para tentar perceber o que leva as pessoas a acharem-se donas da verdade. Se me puser a fazer o exercício de tentar perceber como funciono, como reajo face ao elogio ou perante a crítica ou, até e quiçá…, como expresso as minhas ideias quando os outros me estão a ouvir, facilmente me convenço de que posso ser o maior e mais fantástico ser humano existente neste belo planeta. Mas não sou. Nem de longe nem de perto. Lido com tanta boa gente, e gente boa, que têm uma impressão delas próprias tão… nivelada… por cima que só me consigo sentir inferiorizado. E melhor ainda, consigo sentir-me um perfeito idiota, incapaz de perceber o que querem dizer. Incapaz de perceber o que essas pessoas pretendem alcançar com as suas verdades. Sou um perfeito incapaz, por assim dizer. Se fosse a minha rica senhora a escrever esta última passagem (até parece tal e qual a bíblia…) era capaz de utilizar uma cena qualquer, linguística ou coisa do género, para ilustrar aquilo que estou para aqui a tentar… explicar… mas não, sou eu, por isso não vale a pena esperar um grande resultado estilístico, ou coisa que o valha.

Basicamente, eu podia continuar por aqui a encher chouriços. Podia, não podia? Nisso, eu sou bom. Consigo andar às voltas, e mais voltas, sem ter vontade de avançar para o essencial. Posso estar assim tempos infinitos. Mas também me posso cansar. Também posso achar que é chegada a altura de caminhar, rumo ao nosso Portugal do futuro… e deixar para trás o nosso Portugal pequenino… aquele que ainda habita num cantinho de nós. Eheheheheheh. Foi bonito, lá isso foi, mas não chegou. Não chegou para que percebam que devemos construir um Portugal novo. Chegado aqui, tenho quase a certeza que posso ser confundido com um qualquer defensor da nova ideologia reinante neste nosso Portugal. Vou mesmo ser confundido como sendo um qualquer defensor do empreendedorismo… que agora todos acham que deve ser a imagem de marca do novo português… Mas não. Não sou nada disso. Gostava apenas de viver num país melhor. Mais digno. Mais solidário. Com uma outra mentalidade. Mas não foi esse o meu destino. Vivo num país pouco justo, com a mentalidade das sopeiras do antigamente. Vivo num país com um sistema político assente na corrupção e no compadrio. O meu país tem tantas coisas más, que podem desencorajar o ser humano mais optimista que deus ao mundo deitou. Mas também tem muitas coisas boas. E é pela valorização de tudo o que de bom temos que devemos lutar. Para valorizarmos o que temos de bom não precisamos das bestas que nos governam.

Voltando ao início, e como sou rapaz entradote, começo a ficar baralhado das ideias. Por um lado, a minha raiva leva-me a que fique com vontade de intervir, de me manifestar politicamente e de me indignar publicamente. Mas depois, depois sinto uma impotência tão grande que deixo cair os braços. Percebo que as bestas que nos governam não querem saber de nada. Só querem saber do sucesso pessoal que possam conseguir. Que o sucesso pessoal dessas bestas passa única e exclusivamente pela capacidade em conseguirem acumular riqueza. Guito. Influência. Eu não vim a este mundo para ter esse tipo de sucesso. Claro que quero ter uma vida boa. Sempre fiz por isso e vou continuar a fazer. Também não tenho a mínima ponta de inveja daqueles que têm muito dinheiro pois, com toda a certeza, foi conseguido com muito esforço e trabalho. Não tenho qualquer tipo de complexos em relação à distribuição da riqueza. A honestidade ou a falta dela atinge todas as ditas classes sociais. Há muitos ladrões e a função do estado é meter essa gente nas prisões. O que me choca é viver num país fraco, cheio de injustiças e sem perspectivas de futuro. Somos um país pequeno. Deveria ser fácil organizar esta merda, mas não. Tinham de complicar!

Como já tinha o título, limito-me a acrescentar que podia ter escrito esta cena bem melhor… mas foi o que se conseguiu arranjar…

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