São umas bestas, uns cretinos e uns nojentos, mas não lhes consigo desejar mal. Devia, mas não consigo!

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Estas pessoas que sentem uma raiva enorme por outras pessoas fazem-me pena. Estas pessoas que acham que os funcionários públicos são os culpados de tudo, que são os culpados por o país estar neste estado vão perceber que agora também lhes vai calhar a eles. Também agora vão perceber que não podem ser sempre os mesmos a pagar a conta. Essa percepção de que já não podem malhar no sítio do costume… está-lhes a tirar a pouca sobriedade que detinham pois a vergonha nunca existiu. Já se percebeu há muito tempo que estes incompetentes que governam este país não conseguiram fazer reformas nenhumas, e esse foi o seu grande propósito,  apenas se limitaram a sacar dinheiro para pagarem uns juros a uns bancos… maioritariamente… alemães… e a dívida pública não parou de aumentar.

Se me conseguirem explicar em que é que eu fui culpado, talvez eu consiga aceitar que possa haver uma necessidade de continuar por mais uns tempos o sacrifício que tenho vindo a fazer. Sou trabalhador do estado português há quase vinte e cinco anos, sou professor, tenho a carreira congelada há não sei quantos anos, não tenho aumentos há… já lhes perdi a conta… todos os anos me fazem um novo corte e consigo ter no banco ao fim do mês mil e duzentos euros. Não me parece que este ordenado seja uma enormidade para o estado português. Como é que esta corja de gente que não trabalha para o estado português consegue insurgir-se contras esta enormidade… de ordenado? Como é que consegue continuar a vociferar autênticas alarvidades contra os funcionários públicos, como se estes, com o seu trabalho, não contribuíssem para a economia do país? Como é que estas pessoas, muitas delas pequenos empresários, que gerem pequenas empresas conseguem achar que os funcionários públicos ganham dinheiro a mais? Esquecem-se que estes funcionários, para além de contribuírem com o seu esforço para que os serviços necessários à sociedade funcionem para todos, também são consumidores dos produtos que essas pequenas e médias empresas produzem. Esta gente que fomenta esta guerra entre sector privado e sector público não merece viver com dignidade. São uns cretinos, moralmente desonestos e merecem o meu repúdio.

Porque é que estas bestas (e este termo está-se a tornar recorrente) não se preocupam antes com os noventa milhões de euros que a Assembleia da República tem de orçamento anual? Porque é que não se questionam com os dezasseis milhões de euros que o homem que come bolo rei de boca aberta tem de orçamento anual? Porque é que não se insurgem contra as tão famosas rendas excessivas que nos levam milhões de euros todos os anos? E poderia estar aqui a dar uma data de exemplos para onde estes cretinos descarregassem a sua raiva. Mas não ia adiantar nada. É mais conveniente malhar numa “entidade” que não tem um rosto, que é constituída por uma massa, que não se pode queixar… e assim podem arcar facilmente com as culpas…

Se calhar estou a exagerar. Se calhar toda esta minha raiva é fruto de algumas leituras de artigos, comentários e outras coisas estapafúrdias que vão aparecendo nos jornais e nas redes sociais. Se calhar sou eu a deixar-me levar por toda essa anormalidade (e não vou escrever o que tenho lido…) e deveria antes manter a cabeça fria. Esse seria o caminho mas eu também não sou perfeito e custa-me assistir, impávido e sereno à cobertura mediática deste tipo de opiniões…

Que me desculpem os meus amigos porque esses não merecem levar com estas minhas angústias.

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