Era para escrever uma coisa mas, depois, surgiu um espelho. Espelho meu…

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No meio de tanto trabalho no final de ano ainda me sobra tempo para me olhar ao espelho. Eu gosto de olhar no espelho e ficar, ali, a olhar para o que vejo. Ao longo dos anos, sempre fui olhando para o espelho. Porquê? Bem, essa não é a pergunta que me apetecia ter de responder. Alguém sabe explicar porque é que se olha ao espelho? Sim, porque toda a gente se olha ao espelho! Se for gaja… o tempo em que se olha para o espelho é… a dobrar. Eu, e eu não sou propriamente uma gaja… mas gosto de ficar a olhar para o espelho. Não tenho registados esses momentos. Esses momentos em que fico a olhar para o espelho (assim, lido devagar e com tempo, até parece que estou a escrever para pessoas que não estão a perceber patavina do assunto) não estão registados em filme como toda a gente vai fazendo hoje em dia. Aliás, esse é um problema meu. Não registo aquilo que é importante registar e depois fica tudo só na minha cabeça. É uma pena, com tantos meios electrónicos ao dispor e eu continuo a gostar que seja à moda antiga. É, realmente, uma pena. Não que seja muito importante para as outras pessoas. É mesmo importante para mim. Registar para memória futura o dia presente…

Final da parte introdutória.

Seguimos no espelho.

Quando o espelho está numa divisão da casa em que as luzes estão apagadas, dá-me a impressão que a coisa é pacífica… não se consegue perceber, no pormenor, o que está do outro lado… Quando a luz da divisão abunda… é melhor esconder a bunda… Falando com rigor, olhar para a bunda no espelho, é coisa de gaja, convenhamos. Eu sou sincero. Não fico a olhar para a minha bunda no espelho. Seria demasiado decadente.

Porquê? Isto não tem nada que ver com cenas de hesitações sexuais, para não lhes chamar cenas de identificações sexuais… Não é por aí. O problema é mesmo real. Já não tenho aquela bunda de atleta, de há trinta anos atrás, potente. Agora, a minha bunda, é uma outra cena…

Mas o espelho não existe para eu me olhar no corpo. Pelo menos, para mim, não é a parte mais interessante. O que me interessa mesmo é o meu olhar. Estar no espelho, a olhar para o meu olhar, não tem preço. Parece uma verdadeira chinfronice, para não lhe chamar paneleirice, mas eu gosto mesmo de ficar a olhar para os meus olhos, no espelho. Não tem nada que ver com cenas mais rebuscadas. É mesmo uma necessidade que eu sinto. Consigo perceber o que me vai na alma. Consigo perceber o quanto sou pequenino e insignificante, neste mundo.

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