Às vezes é doloroso e eu queixo-me!

madonna

Vivemos num país fraco. Os nossos dirigentes conseguem ser os mais fracos de todos os Portugueses. Porquê? Porque as elites dirigentes devem ser competentes, corajosas, verdadeiras e com um espírito de servir a causa pública. Somos um país pequeno. Deveríamos funcionar como um todo. É isso que sucede? Não, pois não? Pelo contrário. Os nossos dirigentes políticos só pensam nos seus interesses ou daqueles que os rodeiam. Não estou a acrescentar nada. Grande parte da população portuguesa tem esta ideia formada acerca dos ditos cujos, os nossos queridos dirigentes políticos…

Eu nem sei muito bem porque é que ainda me dou ao trabalho de escrever sobre o assunto. Não me adianta nada insultar os nossos queridos dirigentes políticos! Bem, se valesse alguma coisa berrar e insultar eu até era menino para apanhar a carreira e ir até à porta dos que lá estão, com uma folha A4, na mão, com um valente palavrão ofensivo e escrito a vermelho. Do género: PALERMAS! FROUXOS! VOU ALI E VENHO JÁ! FRAQUINHOS! TENHO VONTADE DE VOS FAZER MAL! SAIAM-ME DA FRENTE! SEGUREM-ME! e um sem número de outros impropérios…

Mas, e como todos nós sabemos, quem acabava preso era eu e os verdadeiros delinquentes continuariam à solta. Enfim, nada de novo, mais uma vez. Aliás, quem tiver tido a infelicidade de ter vindo aqui parar vai ficar com aquela ideia de que a minha vida é uma monotonia e que não consigo acrescentar nada de novo. Mas não é isso que sucede. Consigo ser extremamente inovador.

Desde há três anos a esta parte que iniciei o meu percurso como empreendedor. Ser empreendedor. Os nossos queridos derigentes políticos desejam ardentemente que os portugueses sejam verdadeiros empreendedores. E porque mo pediram, tornei-me num verdadeiro empreendedor. Ok, podem dizer que sou apenas um entre muitos. Poder, até podem. Isso não interessa nada. O que me interessa é que me tornei num empreendedor, num professor-empreendedor. Percebi que teria de iniciar uma nova fase na minha vida. Assim como assim… já passei por tantas fases na minha vida…

Agora passei a acumular. Ou seja: continuo a trabalhar numa escola, a preparar e a dar aulas, avaliar trabalhos e testes, a ter reuniões, a lidar com alunos pouco motivados e a ter que me desgastar para os motivar… nada mais do que se vem passando na minha vida ao longo dos últimos vinte e cinco anos. A novidade (querem ver como sou inovador…) está no facto de ter acumulado funções. Para além do trabalho que fazia e faço, agora sou o tal empreendedor. Não foi do pé para a mão que me transformei. Nada disso! Foram três anos de aprendizagem. Posso até afirmar que foi uma aprendizagem bastante dura. Não foi fácil, portanto!

Mas afinal, qual foi o raio da aprendizagem?

Basicamente foi conseguir perceber como se chega ao dia treze do mês sem dinheiro mas com a dispensa cheia. Volto a afirmar: Não foi fácil! Temos dez dias pela frente com o dinheiro que está no bolso e com a esperança de que ninguém fique doente ou que o carro avarie. Aqui em casa quem mais sofre com esta situação são as minhas filhas porque estão numa idade de descoberta das vaidades pessoais e querem consumir para alimentarem essa vaidade. Também elas já perceberam que as coisas mudaram para muito pior. Amor não lhes falta mas as sapatilhas da cor do elefante do Continente… é que vão ter de esperar…

Podem sempre dizer que estou a falar de barriga cheia. Que temos os dois trabalho e que há muita gente neste país a viver em condições miseráveis. Pois há. Mas eu não sou o culpado por isso. Até consigo perceber que não posso ser aumentado durante alguns anos até o país se endireitar… mas… eu apenas sou um trabalhador que organizou a sua vida em função da sua profissão e que de um momento para o outro ficou a receber menos um quinto do seu ordenado. Agora multipliquem isto por dois! Sim, somos os dois professores-empreendedores. Aprendemos muito, mas à nossa custa. Tivemos de aprender a cortar em tudo e a conseguirmos chegar ao fim do mês com o que é necessário e essencial na mesa.

Eu já sou velho. Vivi muito e espero ainda viver muito mais mas não estou preocupado comigo. Tenho duas filhas pequenas e é com o futuro delas que me tenho de preocupar. Gostava que fossem felizes e que tivessem uma boa vida. Afinal esse é o futuro que todos os pais deste mundo e do outro desejam para os seus filhos. Mais uma vez não saiu daqui nada de inovador. Mas ando preocupado. Gostava também de as ter por perto, que vivessem pertinho aqui do velho. Quando leio nos jornais que em 2012 foram 95 mil pessoas que deixaram Portugal em busca de uma vida melhor e que em 2013 foram mais 110 mil, prevendo-se um aumento do número para este ano… Tenho de ficar preocupado com esta sangria. Tenho de achar que estes dirigentes políticos que temos são uma MERDA e que este país não tem futuro. Como é possível que um país tão pequeno como o nosso se possa dar ao luxo de perder 300 mil pessoas em três anos? Qualquer dia ainda nos vão tentar impingir a ideia de que somos um país paradisíaco, onde não há desemprego e onde se vive com qualidade… pudera, se todos aqueles que não têm trabalho seguirem o conselho oficial de se porem a andar para outros países… que não vai haver desemprego… lá isso… é certinho!

O texto já vai longo. O jantar também já está pronto. Que mais posso querer…?

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