Os sapatos brilham.

A lady reading newspaper, 1932

Já repararam que as pessoas que se dedicam à música são especiais?

São pessoas que gostam de aparecer.

Pensando bem, toda a gente tem aquela coisa… a de aparecer… mas as da música são mais afincadas. Gostam mais do que os outros.

A música é uma das artes. É pacífico. Não é músico qualquer um! É preciso trabalho e talento, como qualquer outras das artes. Certo?

Conhecem alguém que viva decentemente sem música? Não? Bem me parecia! Eu não conheço. Não me querendo repetir, posso sempre afirmar que é pacífico!

Aliás, e fazendo um belo de um parentesis, consigo pensar em mim a cantar no meio de não sei quem.  Acho que não interessa mesmo quem! Como também acho que não interessa mesmo nada para quem tem a mania de cantar para os outros estar no meio deles…

Existe um ego. Por vezes, temos um ego grandito. No caso dos músicos, o grandito é insuficiente. Aliás, grandito é uma palavra desconhecida do grande público e dos músicos. A fama é o objectivo.

Estou a ser exagerado?

Não creio.

Porquê?

É muito simples. Se olharmos para o consumo cultural dos últimos tempos facilmente vamos perceber que a única imagem que fixamos foi a de um músico qualquer. Porquê? Porque apenas os músicos fazem questão de enfiar a cara deles nos panfletos que levamos para casa. Já pensaram que um escritor não tem a sua fotografia na capa do livro que lançou? As pessoas do cinema ou do teatro não têm a carinha laroca delas estampada nos cartazes! Os escultores… quem são esses? Os pintores…? E por aí fora… não aparecem como protagonistas…

Quem tinha de aparecer?

Quem?

Isso mesmo!

O pessoal da música!

Com uma necessidade enorme de aparecerem com uma fotografiazita qualquer. Nem que seja de lado… mal amanhada, mas fashion…

Aquelas em que não aparecem os protagonistas são, geralmente, de grandes iniciantes.

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