Era para ser uma coisa e acabou numa outra coisa… Peço desculpa!

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Tenho a mania de me repetir. Tenho a mania de afirmar que sou um ser humano. E sou! Por isso mesmo tenho algumas virtudes e muitos defeitos. Pelo menos é assim que eu entendo o ser humano. O meu patamar ainda está nivelado por baixo. Quando chegar mais altinho um bocadinho, eu aviso o people. Para já, é o que se pode arranjar!

Não é que me faça confusão. Viver com as minhas limitações é natural para mim. Sei com o que conto. Faz-me pensar e acreditar que um dia posso estar melhor! E não, não estou a resvalar para um discurso religioso, no sentido da alienação total… Gosto de pensar que posso vir a ser um ser humano um pouco melhor. Não é caminho fácil mas acho que o posso ir fazendo.

Ao longo da minha vida fiz algumas maldades. Continuo a fazê-las. Tenho um ar cândido mas, volto a afirmar, não passo de um ser humano. As minhas são maldades específicas…  Não são maldades daquelas de arrancar os cabelos. Nunca matei ou roubei. Também nunca prejudiquei quem quer que fosse de uma forma deliberada. As maldades que fui fazendo ao longo da minha vida foram, todas elas, motivadas pelas emoções. Pelos sentimentos. Pelas relações interpessoais. Também estas maldades foram ao sabor do vento. Não foram premeditadas.

E o que é que adianta? não terem sido premeditadas? Não deixaram de ser maldades por causa disso! Pois não! Essa é a minha mágoa. Não consigo deixar de pensar que magoei pessoas e que, no meu dia a dia, continuo a magoar outros seres humanos. O meu passado está tranquilo e vou convivendo pacificamente com a culpa. Mas o presente. O presente deixa-me amargurado. Não consigo conviver com o meu desatino. Com a minha falta de capacidade para lidar com as situações do dia a dia. Sinto-me como se estivesse a deslizar por um rio, numa corrente, que me leva para um qualquer lugar que eu não conheço.

Decididamente não estou bem!

Antigamente, há muitos anos atrás, quando chegava a este estado conseguia encontrar o meu ponto de recuperação através da alienação total. Era capaz de andar uma semana a beber muito. Alienação total. E a sequir ressuscitava, para a vida e com uma energia sobrenatural. Sempre fui assim.

Também consigo perceber que nunca fui exemplo para ninguém!

Mas esse estádio de alienação total era como se fosse um carregar de baterias. Era básico e essencial. Nunca estive muito preocupado com o que as pessoas pudessem pensar acerca do assunto. Sempre vivi a minha vida e deixei que os outros vivessem a vida deles.

E era tão bom andar nos copos a ouvir música e a dançar até à exaustão.

Hoje é tudo muito diferente. Não consigo ter tempo sequer para encontrar o meu silêncio. Tenho demasiado ruído à minha volta. São outras responsabilidades para as quais eu não estava preparado. Enfim.

Enquanto fui escrevendo este monte de tretas estava a ouvir Pink Floyd, um clássico portanto, e o meu estado de espíirito foi evoluíndo… e se no início do texto estava a viver um verdadeiro drama…agora estou a reler e a pensar no ridículo de tudo isto. Mas é o que nós temos neste país: pessoas a queixarem-se da vidinha “desgraçada” que vão vivendo. Enfim. Somos uns tristes que, de vez em quando, conseguimos ter uns rasgos de lucidez, que nos deixam envergonhados… de tudo o resto.

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