Vivo num país de merda.

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Estes tempos têm sido difíceis de digerir para uma data de pessoas. Pessoas que têm toda a legitimidade em digerirem mal a actual cena política portuguesa. Pelo menos para mim, isso é pacífico. Mas, muito sinceramente, dá-me vontade de rir toda esta encenação acerca do aproximar do fim do mundo se a coligação de direita não conseguir formar governo. Sempre foi essa a imagem, de catástrofe, que foi impingida durante este último ano e, à medida que se vinha aproximando o dia das eleições legislativas, aumentou exponencialmente o seu registo dramático. Normalmente, estes truques costumam resultar, aliados à pouca memória do povo português… só que desta vez a vitória foi de Pirro… e o total de votos foi para o outro lado…

Um verdadeiro desconsolo ver aquelas carinhas, com um sorrizinho amarelo, já a pensarem que a vida não está nada fácil para eles. Independentemente do resultado de todos estes encontros a que temos assistido… já valeu a pena só por ter visto e lido tanta demagogia, raiva e discursos insultuosos para com todos os que acham legítimo que seja formado um governo à esquerda. O que eu mais gosto é da parte “esquerda radical”… A dita esquerda radical apenas defende o oposto das ideias do Paulinho das feiras… logo o Paulinho é um radical de direita, um extremista, ou não? Por esta lógica, tenho mesmo a impressão que o Paulinho até pode ser considerado um perigoso extremista… mas também tenho a impressão de que ninguém se importa muito com isso, só mesmo eu… Aliás, por esta ordem de ideias, se ilegalizassem todos aqueles que pensam diferente do Paulinho da feiras, até que nem seria má ideia. Aqueles ranhosos todos que defendem uma data de coisas que não fazem sentido nenhum… sempre a falarem de direitos, de exploração, de lucros exagerados, de corrupção e mais não sei bem o quê… sim, esses extremistas perigosos, deviam ser mesmo todos banidos. E já agora, acabem com essa malta das artes, que também têm a mania de arrebitar cabelo. Ah, e às mulheres, dêem-lhes filhos e deixem-nas ficar tranquilas, em casa, a cuidar dos rebentos e do jantar a horas certas…

Dá-me vontade de rir. De rir muito. Para espantar os meus males. Mas isto não é normal. Eu não deveria rir por causa da situação do meu país. Tenho para mim que apenas nos devemos rir de nós, da nossa pequenez e da nossa insignificância neste mundo. Se me apanho a rir desta desgraça toda… é porque posso não estar muito equilibrado…

E não, não me vale de nada saber que há por aí muita gente ainda mais desequilibrada do que eu…

Se eu fosse mais novo tinha duas opções: ou ia trabalhar lá para fora ou tornava-me um feirante. Sim, feirante! E sim, sempre teria mais possibilidades de apanhar o Paulinho a jeito de lhe enfiar duas bolas de berlim pela boca abaixo.

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