Disse um palavrão, no final do texto. Desculpem.

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Todos nós temos situações embaraçosas.

Eu já tive algumas. Aliás, farto-me de ter situações embaraçosas. Podia passar a noite toda a enumerá-las… mas também situações idiotas. Dessas, tenho muito mais. Não percebo porquê. Eu não sou idiota… mas acabo por me meter em situações perfeitamente idiotas… o diabo que venha e que perceba porquê.

Isto a propósito da minha última publicação no blogue.

Vim eu para aqui gabarolar-me das análises que fiz estarem todas boas… mas a história das análises tem muito que se lhe diga. Sim, porque não faz o meu género ir ao médico para fazer umas análises…

É verdade, eu fui lá por outra razão!

Uma razão perfeitamente válida e que, na altura, me pareceu que fazia todo o sentido.

Eu marquei uma consulta de clínica geral porque tinha um problema para resolver. Achava eu que tinha de arranjar/obter um atestado de robustez física.

Um atestado de robustez física? Para quê?

Pois, aí é que está o busílis da questão.

Como se aproxima o dia do cinco cinco (sim, é verdade, o cinco cinco ganhou uma importância desmesurada na minha vida…), eu meti na cabeça que precisava de um atestado de robustez física…

Outra vez a mesma conversa?

Sim, o raio do atestado era mesmo importante para mim (e eu sei que este tipo de linguagem é um pouco parecida com a da adolescente que tenho cá em casa em que tudo ganha uma importância desmedida…) e fui, a correr marcar a dita consulta de clínica geral.

Cheguei lá, com este ar de pai natal que não se pode, e dirigi-me à da menina da recepção. Confesso que os olhos ainda me caíram mais e fiquei com aquele ar de cão, amigo do dono e pronto para ir buscar tudo aquilo que me ordenassem…

Mas, assim de repente, não sei se vou conseguir uma consulta para hoje…

Pois, mas se conseguir, era fantástico… (fantástico é uma daquelas palavras que eu só consigo mesmo usar em casos extremos…) e… olhinhos de bambi…

Só tem uma consulta para a parte da tarde? Uhm…

Queria mesmo para agora? Perguntava a assistente operacional.

Pois… olhinhos de bambi…

Espere um pouco.

???

Acho que tenho uma vaguinha para o meio dia…

A sério? Isso era fantástico (segunda vez que utilizei a palavra… mas desta vez com a noção de que fui reconhecido…)

Muito obrigado, pela atenção e pelo cuidado, digo eu e dirijo-me para o local de espera, com o livrinho debaixo do braço (que faz parte de qualquer momento mais incerto…) e, como adoro salas de espera de hospitais e clínicas, lá abanquei o rabo numa bela cadeira, pronto para ver quem passa.

O tema do rabo sentado a ver quem passa dava para uma bela conversa…

Não é o caso. Estou a escrever por outros motivos…

Lá estava eu, acabadinho de sentar, e à espera que passasse alguém. Confesso, porque tenho mesmo de confessar o que é evidente, que fui a um hospital privado. Já foi tempo em que andava pelas urgências dos hospitais públicos, com as crianças nos braços, à espera de ser atendido. Também confesso que fui sempre muito bem atendido nesses hospitais mas agora, que as crianças estão criadas e não têm tido problemas de maior, as minhas idas aos hospitais são mais tranquilas. Por isso, quando lá vou, é porque não tenho mais que fazer…

Adiante que o sentido deste texto não é político.

Ia no ponto em que abanquei. O rabo. No banco.

Não é que seja um grande rabo. Não é. Mas é um rabo cinco cinco. De alguém que pousa o rabo num sítio e não quer ser perturbado até que o rabo esteja em condições de se voltar a mexer. Sou assim. Há quem goste de outras coisas. Eu gosto de alapar o rabo num banco de hospital sossegadamente. Detesto que me venham com tretas, do género: Senhor Rui Mendes Oliveira? O ponto de interrogação deixa-me nervoso. Põe em causa a minha existência. Só para começar! Então o médico ou a médica não percebe logo que existe um Rui Mendes Oliveira que está à espera de uma consulta? Para quê o ponto de interrogação? Eu existo! Estou com um rabo de cinco cinco alapado numa cadeira da sala de espera, caramba!

Se fosse princesa, e não uma contênsa que me põe tensa, ficava possessa!

Mas pronto, ou prontos, como diz a outra!

Lá respondi: Sim?

Faça favor!

Caramba. Ainda não tinha, sequer, conseguido meter o rabo de cinco cinco no sítio certo e a porta já estava aberta… à minha espera.

Pronto, vamos lá fazer um ponto da situação.

Eu lido muito bem com o meu rabo de cinco cinco. Ok, já teve melhores dias, eu sei, muito melhores dias, mas não me é muito difícil movimentá-lo no meio de uma sala de espera de um hospital.

Segundo ponto da situação.

Eu não sou um ser humano sexual.

Quer dizer. Eu sou sexual. E também sou humano mas não vivo para manifestações sexuais exarcebadas… (basicamente gosto daquilo mas não faço muito alarido…).

Ufa, que o raio do texto parece que nunca mais vai acabar!

E lá fui eu.

Bom dia, posso entrar?

Faça favor, sente-se.

Entrei, sentei-me e pus-me a observar o que me tinha calhado.

As coisas são mesmo assim. Acabamos sempre por tentar fazer uma ideia de quem está do outro lado e também acredito que a pessoa que está do outro lado pense exactamente a mesma coisa… ora vamos lá ver que passarinho me calhou…

A mim, calhou-me uma passarinha. Uma passarinha seis zero mas competente. Ora, então, o que o tráz por cá?

Eu. como sou um rouxinol, disse logo ao que vinha.

Venho cá por duas razões, senhora doutora (eu adoro doutoras) e a primeira é porque preciso de um atestado de robustez física.

Ai sim? E porquê?

Eu estranhei! Pus-me fino! Duas perguntas? Sem saber ler nem escrever? Hum…

Ora… porque tenho de renovar a carta de condução, digo eu…

Ah, então vou ter de lhe pedir a carta de condução e o seu cartão de cidadão.

Concerteza!

E lá fomos preenchendo os papeis (quer dizer, eu só ia respondendo…) até que me passa para a mão o dito atestado de robustez física.

Fiquei feliz!

É certo que tinha sido auscultado, pela frente e por trás, tossido e, finalmente, disse trinta e três, e por isso estava em plena forma física… mas tinha que explicar que a minha visita tinha outro motivo. Um segundo motivo.

Pelo sim, pelo não, achei conveniente referir que era um cinco cinco e, como tal, estava pronto para me submeter a uma verdadeira bateria de exames… qual comando pronto para tudo o que desse e viesse…

Ah!

E quando foi que fez as últimas análises?

Senhora doutora, foi quando fiz cinco zero.

Ah, pois, já foi há uns anitos.

Sim!

E lá me passou a requisição para ir fazer as benditas das análises.

E lá fui eu. Com o papel na mão e porque estava em jejum (sim, eu sempre confiei que o meu olhar de bambi que me ia trazer alegrias…) consegui tirar três tubos de sangue. Ok, poderia começar um outro texto sobre o facto do meu sangue ser de um vermelho como não há igual… mas esse texto seria uma outra conversa… e este, texto, já vai enorme…

O que eu queria mesmo dizer é que as análises foram feitas por causa do raio do atestado de robustez física e depois, quando fui tratar da papelada necessária para a renovação da carta de condução, descobri que, afinal, só vou precisar de renovar a filha da puta da carta quando fizer seis zero, tal e qual a idade da senhora doutora…

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