Obrigado ao mundo, ao meu mundo, a todos vós.

azul

Hoje tive um dia fantástico. E fantástico, nestas circunstâncias, é pouco. Foi um dia muito bom, pode ser assim? Pronto. Foi um dia do outro mundo e não se fala mais no assunto. Sempre posso acrescentar que um dia assim, nem que seja uma vez por ano… vale pelos outros todos.

Eu nem ligo a aniversários. Hoje foi o meu. E toda a gente tem o seu… nada de mais… mas gostei do meu, que posso eu fazer?

O dia não podia começar melhor. Quando saí do banho para me vestir, fui surpreendido com as minhas três moçoilas enfiadas na minha cama, entoando uma bela cançoneta de parabéns, com ritmo e personalidade próprias…

A coisa prometia.

Lá me vesti, o melhor que consegui, que esta coisa de fazer cinco cinco é muito efémera… pus um cheirinho bom, daquele que guardo para os momentos mais especiais… que a vida não está fácil… calcei a bela sapatilha florescente… para quando entrasse na escola toda a gente tropeçasse… ofuscada…

Desci, fiz um belo de um café e chamei a minhoca mais pequena para nos enfiarmos no carro e eu a deixar na escolinha. Sim, à sexta feira sou eu que a deixo à porta da escola, seja o meu aniversário ou o do presidente da república… e lá fomos numa amena cavaqueira. A sexta feira é o dia em que converso sossegadamente com a minhoca pequena e é bom, muito bom, porque aproveito todos os minutos para a ouvir antes que ela entre naquela fase em que não vai querer partilhar nada comigo… tal e qual a minhoca mais velha…

Depois de a deixar na escola, arraquei para a minha escola, tranquilo e com a música em altos berros. É motivacional… afinal tinha de me preparar para fazer os cinco cinco. Não é pêra doce fazer cinco cinco. Mas foi a pêra que me calhou… por isso… lá fui eu com a maior vontade de passar um dia inteiro na escola.

Confesso que a minha ideia de conseguir passar despercebido na escola era apenas uma vontade. Eu queria muito passar despercebido. Fico muito atrapalhado quando sou o centro das atenções. E não estou a brincar. Fico mesmo aflito quando recebo atenção. Mas entrei na escola com a esperança de que ninguém iria abrir a boca sobre o facto de eu ter de receber os cinco cinco nos braços…

Sala dos professores, oito e tal, tudo com sono e eu caladinho que nem um rato… A coisa estava bem encaminhada. Eu no meio de toda a gente, a assobiar para o ar… e lá fui para a sala.

E a coisa descambou…

Do nada, fui surpreendido com um bolo que apareceu não percebi muito bem donde e que era delicioso. E lá tive que fazer um esforço para não me emocionar, que esta coisa de fazer cinco cinco implica que me controle na choradeira. Ao fim e ao cabo já sou um cota experimentado… Mas foi um início de dia escolar muito afectivo e surpreendente. Não estava nada a contar e adorei ser mimado daquela maneira.

Ainda meio abananado, lá saí da sala (quando tocou…) e fui para a sala de professores e quando entrei fiquei parado. O dia oito de abril de dois e dezasseis coincidiu com o dia das línguas, sim, das línguas… na minha escola… e estava montada uma mesa enorme, cheia de coisas boas, dos diversos países que têm direito a língua na minha escola. Claro que nestas circunstâncias é muito difícil passar despercebido e fui brindado com mais um parabéns a você, versão adulta, com beijinhos e abraços de todos os presentes e que me deixaram, outra vez, a engolir em seco para não dar nas vistas…

Pronto. Julgava eu que os momentos de aflição estavam despachados…

Pois.

Quando tocou para uma nova aula… lá fui eu…

Entrei e… nada… não tinha alunos. Esperei um pouco, a achar que poderiam estar numa actividade qualquer. Vim até ao corredor. Espreitei a ver se apanhava algum a comer um croissant com rissol ou a beber um leitinho (eles gostam dessas coisas…) e nada. Tornei a entrar e quando me estou a sentar entram-me todos pela sala adentro com mais um bolo. Maluqueira total. Parabéns e eu a voltar a engolir em seco para não me emocionar. Fui novamente surpreendido pois foram muito carinhosos comigo e eu sou um cota, não é verdade?

E lá saí da escola para um almoço muito agradável e fofinho para depois voltar à escola e ser, novamente enganado…

Quando entrei na sala, para a última aula do dia, tudo parecia tranquilo. Convenceram-me que seria mais produtivo vermos um filmezinho sobre a matéria que estamos a dar… Um filmezinho? Como assim? Estivemos a pesquisar e encontramos um filme sobre a Cultura do Salão muito bem feito. Ok, vamos lá ver se vale a pena  mas, se for fraquinho voltamos à primeira forma. E aquilo parecia bom até ao momento em que a coisa muda radicalmente e aparecem os momentos fotográficos mais engraçados da nossa viagem de estudo a Madrid e, vá-se lá perceber de onde, surge mais um bolo de aniversário… Outra vez a engolir em seco e a controlar-me para não me virem as lágrimas aos olhos.

Eu achava que os cinco cinco seriam um marco irreversível na minha vida. Achava eu que a partir deste dia iria conseguir ser um homenzinho. Daqueles homenzinhos sérios. Que não se deixam levar por emoções. Que conseguem controlar os sentimentos. Já percebi que não vai ser nada disso. A minha vida vai continuar a ser controlada pelas emoções…

E assim foi o meu dia na escola. Um dia cheio de carinho, que me deixou sem palavras e a achar que estou no sítio certo. Que sou um priveligiado por ter tanta gente com um sentimento por mim.  Não tenho palavras para lhes agradecer.

E depois vou para casa.

Com montes de mensagens para responder e um jantar de aniversário para preparar.

Espero ter dado conta do recado… e se não respondi a alguém que teve o cuidado de me mimar, fica aqui o meu reparo pois eu esforcei-me por agradecer a todos mas… os cinco cinco começam a deixar as suas marcas…

Como não podia deixar de ser, depois do jantar, as miúdas cá de casa surpreenderam-me com um bolo de aniversário. Sim, para terminar o dia de aniversariante, nada como um bolo para cantar os parabéns. Todos os outros foram muito bonitos e especiais mas ninguém me vai levar a mal por eu achar que este teve uma dimensão inexplicável.

E assim foi o meu dia.

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