Estou de volta.

Já deu para perceber porque é que estou de volta. E não. Não é por causa do confinamento às quatro paredes a que estamos destinados por estes tempos difíceis. Simplesmente concertaram-me o blogue, por dentro… pois estava infectado (nem de propósito) com um vírus e constituía um perigo para quem abria a página. Espero que não tenha mexido o funcionamento dos vossos computadores. Para mim é mais fácil ficar em casa do que concertar estas cenas difíceis da informática ou lá o que lhe quiserem chamar.

Estou em casa. Sim, é verdade. Tal e qual milhares de outras pessoas.

Cá por casa vamos tentando encontrar algumas rotinas. É difícil. Uma das novidades cá por casa é eu não cozinhar todos os dias e a todas as horas. Repartimos as idas à cozinha. É bom para ambos. Quando não é a minha vez posso estar mais relaxado e com tempo para me deixar arrastar naquilo em que me meti. Por exemplo, hoje ao meio dia vai ser a minha rica senhora que vai fazer uns medalhões, com puré e um molho espesso que só ela sabe fazer (eu sou mais bruto no que toca aos molhos…) e acompanha um puré… Vai ser bom.

Entretanto eu estou aqui, no blogue, a tentar escrever o que me vai na alma. Sim, eu sei. O que me vai na alma? São muitos dias em casa e eu também tenho direito aos momentos de verdadeiro azeite. Ser um azeiteirola e começar a escrever palavras fofas. Não sendo cristão, sempre posso acrescentar: seja o que Deus quiser (Deus com letra grande, que o respeitinho é muito lindo. Então nesta hora de aperto…) e espero voltar ao meu normal…

Neste momento, o meu normal passa por estar acompanhado por um copo, pequeno, de vodka, de uma garrafa que comprei no freeshop há cerca de um mês. Sim, foi na nossa última viagem e não se percebe como é que a garrafa se manteve intacta até esta data. Deve ter sido o meu décimo sexto sentido que me levou a guardá-la para momentos mais importantes na minha vida.

Sim, este momento é importante.

Mas vamos continuar a ter vida quando este pesadelo terminar.

Eu desconfio que vou ter uma vida diferente, mais redonda (que é como me sinto porque passo a vida a comer…) com um hálito a álcool (que é como me sinto porque passo a vida a… desinfectar as mãos…) com a preocupação de falar mais baixo (e a perceber que a deformação profissional pode mudar as nossas condições de convivência… porque é isso que as minhas filhas me dizem… que falo alto…) porque sou um afortunado por estar confinado a estas paredes mas na companhia da minha família (para quem está sozinho deve ser muito mais difícil e eu sei do que falo) e depois temos os nossos pequenos prazeres.

Tudo bem. Temos que trabalhar. Eu como todos os outros professores temos que ir fazendo aquilo que conseguimos através das plataformas disponíveis, mas essa é uma outra cumbersa… que não é para aqui chamada.

Eu estou a falar dos nossos prazeres. Daquilo que gostamos mesmo de fazer. Daquilo que fazemos ao longo do dia e, quando estamos com a cabecinha na almofada, nos lembramos de uma doce memória recente. Por exemplo, ontem, quando me virei para a minha rica senhora, poucos momentos antes de adormecer, senti o gosto do merengue de limão que ela fez de sobremesa. Não será a mesma coisa do que fazer o amor, dirão alguns dos puristas que acham que o mais importante é fazer o amor. Fazer o amor bem feito, ainda por cima, que isto de fazer o amor às três pancadas foi no outro tempo. Aquele tempo em que não estávamos confinados às quatro paredes do isolamento e em que…

Fica a interrogação.

E não. Não vale começar a chorar com as oportunidades perdidas. O caminho ainda está para vir. Caminhem.

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