Pois, o raio do título! (metido em casa 24/7, pode ser?)

Começar um texto e ter que lhe dar um título… não faz nada o meu género. Sim, porque toda a gente tem um género… O meu ainda não percebi qual é. Ao fim de praticamente cinquenta e nove anos ainda não percebi o que ando por aqui a fazer, do que ando à procura, para onde vou… Mas isso, agora, não interessa nada.

Estamos todos há demasiado tempo em casa. Começamos a perder a lucidez. Começamos a entrar num estado de realidade virtual. Não é fácil estar enfiado numa casa. E cada um tem a sua casa. Com as pessoas que lá estão enfiadas. O espaço físico também varia mas isso não é o mais importante. Cada casa terá a sua realidade. Viver essa realidade é que é o verdadeiro desafio. O que fazer durante tanto tempo fora das rotinas a que estávamos habituados. Refazer as nossas relações com as pessoas que nos rodeiam. Repensarmos as nossas prioridades.

Tenho vontade de escrever umas caralhadas com as letras todas. Tenho vontade. Mais vontade. E depois respiro com mais força, fecho os olhos e penso: que caralho de texto azeiteiro que estou para aqui a escrever. O balhamedeus.

Sim, eu também tenho os meus momentos difíceis. Não parece, pois não? Pareço um rapagão forte de ideias e cheio de rumo na vida. Mas a realidade é outra. Se calhar como a grande maioria das pessoas que eu não conheço. Mas eu sou um rapaz normal. Sim, um rapaz. Não posso usar a expressão “rapaz”? Vem cá alguém para me bater? És tu, que vens cá para me bater, dar pancada a sério, por ter usado a palavra “rapaz”? Julguei! Hoje estou forte. Sinto-me um rapaz forte. Por isso, cuidado comigo!

Voltando ao que realmente é importante. Sou um rapaz… bem, queres ver… normal.

Ok. Vou mesmo ter que esclarecer esta cena do rapaz.

Rapaz = Homem entre a infância e a adolescência; garoto; moço.

Perceberam?

No meu caso, em plena adolescência.

Sim.

Ora pensem bem o que foi a vossa adolescência.

As vossas emoções eram assim? Ou assim? Se calhar sonhavam assim?

As emoções de um adolescente são sempre à flor da pele. As minhas também. Porquê? Porque eu sou um rapaz normal. Continuo com esta energia e com esta vontade de viver. Se é a melhor maneira de viver, se é a melhor maneira de sentir ou, porventura, a melhor maneira de ser companheiro, não sei nem nunca vou saber. Todos vamos acabar por morrer com aquela sensação de que poderíamos ter feito diferente. Ok, ainda não cheguei às portas de Brandemburgo e, quando lá chegar, pensarei no assunto… mas nos entretantos… vou olhando para trás, para a minha vida, com a vontade de perceber o que raio ando aqui a fazer e não querendo ser repetitivo, tenho a consciência de que a minha vida foi o que foi e a mais não sou obrigado… por isso, antes que o nosso amigo alemão me ataque, quero dizer ao mundo que “Não me arrependo de nada“, que consigo viver com os meus fardos e com os meus pesadelos. Há sempre um preço a pagar e o meu chega, invariavelmente, quando me deito e penso naquilo que foi o meu dia.

E agora vou preparar a mesa que hoje, o jantar, foi a minha rica senhora quem teve o privilégio de executar.

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