Domingo à tarde.

O que estou a ouvir? A um domingo à tarde é essencial ouvir um sheik. Eu vou para o sheik. Há quem vá para outras cenas musicais… Gostos não se discutem! Não tem importância. O importante mesmo é que estamos num domingo e é essencial manter alguma espécie de rotina. É o que mais me está a custar. Ontem fiquei pelo quarto durante quase todo o dia… foi estranho. Ok, que vi uma temporada quase toda “zero, zero, zero” era o seu nome e gostei de estar isolado a ver episódio atrás de episódio mas… não é lá muito saudável. E não, nem sequer pensem que estou maluquinho de todo que nem sequer saio do meu pijama… Nem pensar! Isso seria mesmo muito mau. Banhinho e vestimenta a condizer para o dia que começa é um ritual que não vou conseguir abdicar. E antes do banhinho… abdominais, pernas e flexões. Faço trinta de cada… porque já sou velhinho e não quero ficar sem uma perna ou um braço à custa de tanto exercício… Mas apesar de manter o mínimo de rotinas… acabei por ficar no quarto enfiado, longe da minha realidade familiar. Ok. Toda a gente anda com graçolas sobre as qualidades e o virtuosismo da vida de casal… e eu confesso que, no início, ainda perdia algum tempo a rir-me com as piadas que os portugueses tão bem constroem em cima da desgraça… é que este povo sempre teve essa capacidade, a de brincar com o que de pior acontece… lá isso é verdade.

Hoje, passados não sei já quantos dias de confinamento voluntário, começo a pensar que devemos levar as nossas relações muito a sério. Não cometer erros que se possam vir a revelar fatais é fundamental. Cá em casa, como em muitas outras casas, temos que encontram um equilíbrio geracional… porque somos dois adultos e duas adolescentes… e não é fácil. Apesar de sermos ambos professores e, por isso mesmo, termos algum traquejo em lidar com seres humanos de idade inferior e experiência reduzida… em casa, tudo aquilo que vivenciamos diariamente numa escola… de pouco serve porque numa escola temos sempre um intervalo ao fim de noventa minutos… em casa…?

Não é fácil. Se já não era, agora muito menos…

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