Uma canseira.

patricia-piccinini-sculptures

Eu vou para velhinho. Não há como negar. É a lei da vida. Não há mesmo como negar. Acontece a todos. O caminho a percorrer é o mesmo para todos. Para brancos, negros, amarelos, vermelhos, pobres, ricos, remediados, boas pessoas, más pessoas, coxos, magros, gordos, altos, baixos, pessoas que usam óculos, pessoas que gostam de ter relações sexuais todos os dias, padres, políticos, vigaristas, assassinos, tresloucados, alcoólicos, viciados na batota, pessoas que andam e saltam, naturistas, moralistas, possuídos, possuídos por trás, possuídos pela frente, vegetarianos, amigos das focas, plantadores de cannabis, arrumadores… e podíamos estar aqui a tarde toda a enumerar todo o tipo de pessoas deste mundo, não podíamos? podíamos, mas não me parece. Apesar de não estar aquele tempo maravilhoso, que esteve na semana passada, que convida ao relaxe, à bebida espirituosa, ao deleite e à conversa descontraída, há toda uma parafernália de palavras que têm de saltar para o teclado… bonito, não? Também acho. Quando é chegada a hora do azeite eu não poupo. Para além de caminhar para velhinho, deslizo em azeite. Puro azeite transmontano, que essa modinha do azeite alentejano é para inglês ver…

Bem, a agulha está sempre a fugir do trilho traçado (faz-me lembrar a minha vida) e não é fácil dar a mão à vida e trazê-la para onde pensamos ser o melhor caminho. OMG, que rebuscado. Não era essa a minha intenção. Apenas pretendia dizer que ando sempre à procura do meu caminho e depois saiu uma frase moralista. E eu esforço-me por não ser moralista, nem paternalista… embora confesse que, com duas filhas adolescentes, me sinta tentado em protegê-las… embora saiba que esse não é o melhor caminho… mas quem nunca? OMG, outro lugar comum???

Esqueçam o parágrafo anterior!

Vou recomeçar.

Eu vou para velhinho. Não há como negar. É a lei da vida. Não há mesmo como negar. Acontece a todos. Lembram-se? Exactamente. Foi como comecei o texto. E sabem porque é que comecei o texto assim? Porque queria continuar a escrever sobre a minha vida. Sim, quem vai para velhinho tem tendência a esquecer o dia a dia e a lembrar-se dos pormenores de há cinquenta anos atrás. Estranho? Não me parece. Quem tem pais mais velhinhos do que eu, percebe o que eu estou a dizer. E eu estou nesse limbo (e não, não estou doente, nem vou morrer em breve), apenas quero deixar registada uma parte da minha vida. E esse registo é complexo. Não aparece assim, do nada. Tem que ser triturado, mastigado, até sair cá para fora. E agora está-me a dar o sono. E ainda tenho que ir ao ginásio, fazer os telefonemas costumeiros, ir ao ginásio (sim, vou pela primeira vez), tomar banho, fazer o jantar, continuar no escocês e finalmente ver um episódio a escolher entre as muitas séries que ando a ver.

Leave a Reply