Arquivo mensal: Agosto 2020

Cansado e às voltas.

As oportunidades surgem na vida. Quero dizer, há oportunidades que surgem nas nossas vidas sem estarmos a contar, mas também há umas quantas oportunidades que aparecem à nossa frente porque se trabalha para que tal aconteça. Para além das oportunidades, há o desejo, o desejo de se conseguir ter uma determinada oportunidade…

Vamos deixar de lado as oportunidades e passemos para os desejos. Não é fácil porque a palavra desejo está, de certa forma, ligada ao sexo. É sempre com alguma dificuldade que não associo a palavra desejo à palavra sexo. Desejo sexual. Claro que na prática, no dia a dia, acabo sempre por proferir a palavra noutros contextos completamente opostos à cena sexual: “Por favor, desejo um cimbalino curto”; “Estou com um desejo…de comer uvas sem grainha”; ” O que é que eu desejo? Desejo que o Trump escorregue numa casca de banana”. Podia estar aqui numa sequência de desejos incógnitos, sem qualquer conotação com o desejo sexual. Conhecem alguém que, durante a deglutição das doze uvas passas que se comem na passagem de ano e que são acompanhadas pelos respectivos desejos, tenha pedido um desejo sexual? Quer dizer, se calhar até há uns seres humanos que desejem: a vizinha de cima; o vizinho de baixo; os dois ao mesmo tempo; orgasmos violentos e sonoros, como se não houvesse amanhã; uma festa sexual na Comporta; a boca, as mamas, o rabo de uma qualquer personagem famosa… enfim, se é para o deboche em forma de desejo… podia ficar aqui o resto da tarde, com diversas alternativas e algumas manias, mas não é esse o caminho, el caminõ…

Já deu para perceber que este blogue está um bocadinho, só um bocadinho, direccionado para a minha pessoa. Também não será de admirar pois, afinal, sou eu que o escrevo e lhe dou vida… e se encontrarem alguém que escreva num blogue pessoal e que não tenha como assunto principal a sua vida, eu ficaria muito admirado. Anda meio mundo em bicos de pés para se fazer ouvir e a outra metade usa uns estratagemas diferentes, que não as patinhas esticadas, para se fazer ouvir. Agora pensem. Pensem em vocês. Como é que fazem para se fazerem ouvir? Claro que ninguém se vai meter aos berros a afirmar que se mete em biquinhos de pés… Cada um sabe de si, isso é certo, tão certo, tão certo, como eu afirmar que nem sequer me dou ao trabalho de querer ser ouvido. Este blogue é pessoal. Tem uma afluência reduzidíssima. Só cá vem espreitar quem me conhece e, para esses, eu não tenho necessidade de me pôr em biquinhos de pés. E assim fica resolvido o assunto, que foi sempre um não assunto.

Olha a volta que o texto foi dando. A palavra era “desejo”. Obalhamedeus tanta falta de objectividade.

To be continued