Arquivo mensal: Março 2021

Há dias e dias.

Por hoje já trabalhei o que tinha que trabalhar.

Esta é uma frase fraquinha para começar um texto, mas nem todos nasceram com uma veia poética e, muitos mais (nos quais me incluo) não nasceram sequer para escrever, seja o que quer que seja.

Mais uma frase daquelas que vou ali e venho já, mas hoje vai ser conforme sair. Não quero saber. Porque haveria de querer saber? Afinal de contas ninguém vem ao estaminé ler o que vou para aqui escrever e, sendo os que o fazem meus amigos, já me conhecem de ginjeira e não se vão zangar comigo por causa de uma frase mal construída, uma vírgula mal atirada ou uma caralhada no meio de muitas outras palavras bonitas que eu sou capaz de espetar num texto. Não quero mesmo saber e eles também não.

Por isso, vamos a isto.

Hoje está um dia de sol. É bom sentir o sol. Cá em casa temos andado a tentar evitar o contacto visual. E não é fácil, nada fácil apesar de termos espaço individual suficiente para não nos cruzarmos mas… há sempre aquela hora em que temos que almoçar… jantar… e aí não há nada a fazer. Como nós, milhares de outras casas neste Portugal devem estar com o mesmo problema. A sanidade mental é um assunto sério, muito sério e que devemos encarar numa perspetiva de futuro porque hoje não temos consciência da forma como tudo isto nos está a afetar nem percebemos como poderemos vir a ficar. Apenas nos vamos apercebendo que as nossas reações e as nossas relações estão ligeiramente diferentes.

Será que é normal eu começar a estufar uma carne para o jantar às cinco da tarde? (bem, comecei com um exemplo ainda mais palerma do que todo o texto porque o fêcêpê joga hoje e o jantar tem mesmo que estar pronto a tempo de eu ver aquele conjunto de pessoas atrás de uma bola) (e que ganhe quem tem que ganhar e que vocês sabem qual é, ou não sabem? Pensei que não!).

Será normal que as pessoas passem um tempo infinito agarradas a um ecrã (pequenino, maior um bocadinho, normal mas com teclas em três dê ou um qualquer que esteja encostado a uma parede e que tenha um comando?) (obalhamedeus que este também é um exemplo típico de quem não pensou muito no assunto porque se pensarmos bem nesse bocadinho assim, que está em falta, percebemos que não faz sentido pegarmos num conjunto de folhas, todas juntas, com muitas letras, palavras, impressas e que dão uma trabalheira imensa a juntar… e é muito mais fácil estarmos a olhar para algo que brilha).

O texto está difícil de sair. Estou com a impressão de que não acerto uma.

E questiono-me. Porquê?

Afinal de contas esforço-me por acertar. Como todos os professores, tenho que tentar e saber chegar aos meus alunos. Tenho mesmo que saber comunicar, não é verdade? Pois, mas isso é com os meus alunos.

Por estas bandas a coisa funciona de forma diferente.

E bem que podia perguntar se é normal enfiar na cabeça tudo aquilo que existe nesta casa? Chapéus, bonés à guna ou lenços coloridos? (porque eu não gosto de nada que me faça lembrar esta vida a preto e branco que andamos a viver, ultimamente). Ia acrescentar repolhos, folhas de alface ou cenas a três velocidades com vinte e três centímetros de autêntica profundidade mas isso outros cinquenta.

Após este pequeno texto introdutório, passemos então to the main course.

Eu não sou rapaz para andar 7/24 nas redes sociais. Não sou. Quem quiser que o faça. A mim aborrece-me. Ando por lá o tempo suficiente e que eu considero razoável para continuar sem a sanidade mental que todos os frequentadores acham que têm mas, na realidade não têm. Como? Não têm sanidade mental? Só eu é que tenho a dita cuja da sanidade mental? Não (sorriso sonso). Eu tenho mas há muita mais gente que também a tem.

Mas que anda por lá muito boa gentinha que parece que nasceu anteontem com um dentinho de fora, lá isso parece. Anda muita azia a pairar no ar. Não acham? Eu acho. Por qualquer coisinha que se possa dizer menos acertada há um conjunto de vozes vindas dos céus que nos paralisam e nos deixam desconcertados. Não é que eu ande por aí a comentar isto e aquilo. Sim, porque eu não sou desses… e sim, gosto mais de ler e ver como param as modas. Algum problema com isso? (até parece uma resposta típica do tom com que eu me costumo escandalizar…) As redes sociais são amargas. Anda meio mundo zangado com a outra metade e eu não tenho paciência. Tenho pena por ser assim mas acho uma perda de tempo.

O texto prometia, não prometia?

Pois.