Arquivo mensal: Abril 2021

O que ando a ler. Bill Bryson: O Corpo: Um guia para ocupantes.

SINOPSE

“Uma extraordinária investigação do corpo humano.

A vida toda habitamos um único corpo, mas quantos de nós entendemos o que se passa cá dentro? No bestseller premiado Breve História de Quase Tudo, Bill Bryson fez o quase-impossível: tornou a ciência simultaneamente compreensível e divertida para milhões de pessoas em todo o mundo. Agora, volta a sua atenção para o corpo humano, como funciona e como consegue a extraordinária proeza de crescer, reproduzir-se e curar-se a si próprio.
O Corpo: Um Guia para Ocupantes está cheio de histórias verídicas e factos incríveis, servidos numa linguagem acessível, por um autor que faz toda a pesquisa – para que nós não tenhamos de o fazer. Um mergulho profundo e muito bem-humorado na Biologia e na história da investigação sobre o corpo humano, para ficar a saber tudo o que precisa de saber sobre este invólucro mortal que ocupamos.”

Porque hoje é dia!

O meu dia.

Começar com E@A tentando o melhor possível!

Se já são difíceis as aulas à distância, quando têm mesmo que ser, agora imaginem quando estamos a queimar os últimos cartuchos. Sim, na próxima semana já deveremos retomar a normalidade. Felizmente! A ver vamos!

Almoço!

Dourada no forno, com batatinhas, alface e rúcula. Até pareço um bocadito obcecado com as dietas. Mas não sou!

O branco geladinho acompanhou.

Tarde!

The Chemical Brothers. Na bela da coluna. Sim, a minha rica senhora ofereceu-me uma coluna nova que é maravilhosa. Deixei os fios todos da aparelhagem antiga!

E vai ser toda a tarde nisto!

Mais logo…

Um entre muitos… sexagenários.

Quando fiz cinquenta anos fui comemorar. Foi a minha primeira vez. Nunca liguei muito a aniversários. Digo. Aos meus aniversários. A vida foi correndo como tinha que correr. Digo. Sem tirar nem meter. Foi assim que correu e os aniversários nunca me disseram nada até… chegarem os cinquenta. Nessa altura tive um choque psicológico. Foi mais um choque que eu deixei que me passassem pois, na altura, não me tinha apercebido que fazer cinquenta anos é um marco na vida das pessoas, tal e qual fazer cinquenta nos de casado ou cinquenta anos de vinte e cinco de abril. Reconheço que poderá ser um número icónico. Mas na altura não sabia disso. Fiz, realmente, cinquenta anos de existência mas a minha cabeça estava noutra galáxia e muito longe destes problemas terrenos. Coisas da minha vida, da minha existência e que não passam pelo lugar comum da existência humana.

Enfim. Uma ocorrência insignificante. Nada que um GNR não possa tomar conta.

E passaram alguns anos. Nem muitos, nem poucos. Dez, para ser mais preciso. Sim! É verdade. Cinquenta mais dez faz sessenta! Eu acho um número mágico. Claro que se fosse um seiscentos e sessenta e seis seria outra coisa mas, no que diz respeito ao assunto que me trouxe hoje a este espaço lúdico não faz muito sentido. Sessenta é o número. O número da realidade. E não, não vou acrescentar “da triste realidade” porque eu não sou nenhum triste. Não fico triste por estar associado a um número destes. Como poderia?

Claro que os meus amigos sabem o que este número quer dizer para mim (mas aqueles que só aparecem de vez em quando para lerem o que me vai na alma e não me conhecem de lado nenhum… podem não ter percebido que estou prestes a ser um sexagenário. Sim, calha a todos.) ponto. Os meus amigos também sabem que eu sou um ser positivo, sem grandes complicações de funcionamento, que gosto da prática, da resolução dos problemas, da sua execução e que não costumo fazer grandes dramas perante situações adversas. Também sabem do meu passado e não me levam a mal.

Por falar em passado. Há uns anos atrás eu ouvia The Cure. Adorava. Estive neste concerto em Londres e foi uma sensação fantástica, como não podia deixar de ser para quem se prezava em acompanhar o que de melhor se fazia naquela época. Entretanto a vida continuou e eu deixei de ouvir violas e guitarras com pessoas a cantar. Cansou-me. Aquela coisa das bandas, com as cenas dos músicos… não fazem mais parte da minha existência. Fiquei assim há muitos anos, antes, muito antes dos quarenta e assim me irei manter. Só gosto de ouvir música eletrónica, muito particularmente de trance psicadélico, mas confesso que por vezes dou comigo à procura de versões eletrónicas de êxitos de outros tempos… digamos que é uma fraqueza “nostálgica” da minha pessoa. E sim, todos os seres humanos têm fraquezas, sejam eles trintões, adolescentes ou sexagenários, belos sexagenários.

Já chega de musiquinhas porque não foi para escrever sobre os meus gostos musicais que eu decidi ressuscitar vinte e oito dias depois da última aparição. Eu sei que mais ou menos há dois mil e vinte e um anos atrás também houve um personagem que ressuscitou, mas esse era muito diferente de mim. Dizem que era loiro em terra de morenos, que era tão alto e forte que até conseguia levar uma cruz de madeira, pesada, por montes acima, sem pestanejar e que usava o cabelo solto, pelos ombros, envergando uma túnica de linho, sem mais nada por baixo. Já eu, nem nos meus tempos de verdadeiro atleta, conseguiria arrastar uma cruz com aquele peso todo, muito menos vestidinho com uma túnica, com tudo a abanar. Não, a bela cueca é fundamental para manter a compostura.

Pormenores à parte, importa aqui realçar que o que me trouxe de volta a este privilegiado espaço foi eu saber que tenho uma outra vida pela frente. Pelo menos uma porção de vida, uma porção de uma outra vida e que esta porção seja, espero eu, maravilhosa.

Eu tenho muitos amigos. Uns mais velhos e outros mais novos. Não sou, portanto, aquele que vai com a cruz na frente da procissão. A vida corre naturalmente e uns já passaram por isto, outros ainda irão passar. Quando olho para o passado emociono-me sempre (imaginem tudo isto, toda esta potência vocal, este aparelho fonador, num balada dos Xutos e pontapés, em vez da xaropada que é a voz do Tim) e pergunto-me como foi possível ter tido o privilégio de me relacionar com pessoas assim, maravilhosas? A minha vida tem sido rica em emoções e em relacionamentos. Não me lembro de pessoas más que tenham passado pela minha vida. Com toda a certeza que já devo ter passado por situações menos boas mas delas não me lembro e não escrevo isto para ficar bem na fotografia. Não, não me lembro mesmo de me ter relacionado com pessoas que não tenham valido a pena conhecer. Um sortudo, portanto.

E o futuro, senhores, o futuro?

Depois se verá.