Arquivo mensal: Junho 2021

Quando me dobro não consigo ver… o quê?

Tenho uma ligeira impressão que nunca escrevi nada aqui, neste meu espaço lúdico, sobre a actualidade portuguesa. Achei sempre que para isso existiam os jornais, as televisões e muitos outros blogues onde se debatiam ideias ou se afirmavam intransigências. Apesar de acompanhar o dia a dia do país, sempre estive mais focado na minha vidinha. Quem nunca? Pois é, o ser humano é egoísta e tem um fascínio muito particular pelo seu próprio umbigo (por falar em umbigo, quem é que nunca ouviu dizer que o mesmo se chama imbide, umbigue, bide e muitas outras coisas?). Eu também consigo confessar que o meu umbigo é, realmente, importante para a minha existência. Todo o ser humano deve pensar assim: ter a consciência que o seu próprio umbigo é a coisa mais importante deste mundo. Parece-me pacífico e legítimo que assim pensemos. O problema não está na adoração que o ser humano tem pelo seu umbigo. O problema centra-se na questão das prioridades. É como o código da estrada. Para pegarmos num carro, mota, bicicleta ou numa trotineta temos que saber as regras, sob pena de conseguirmos meter-nos numa data de trapalhadas se não tivermos em conta essas mesmas regras. O ser humano, português de nascimento, é o espelho de quem não quer saber das regras que regem a sã convivência entre todos os seres humanos e apenas se interessa pelas suas próprias regras e que, na sua modesta opinião, deveriam ser universais e aplicadas a todos os restantes seres humanos que habitam este planeta, chamado Portugal (sim, hoje o planeta deveria chamar-se Portugal porque hoje é o dia da Língua de Camões).

Planeta Portugal mas só hoje. Aliás, todos os países existentes neste planeta deveriam ter um dia consagrado à sua identidade. Do género: dia 10 de junho, dia de Portugal; dia 04 de julho, dia da América; dia 14 de julho, dia da França; dia 30 de setembro, dia do Botswana; dia 07 de agosto, dia da Colômbia e por aí fora. Assim, todos os dias, haveria um país que teria o seu reconhecimento anual e universal, em que as suas virtudes, carências e necessidades seriam “vistas” por sete biliões de pessoas em todo o planeta. Por acaso já pensaram bem no assunto? Imaginem que todos os telejornais diários deste planeta eram “obrigados” a dedicarem cinco minutos do seu precioso tempo às diversas realidades existentes. Se pensarmos um pouco naquilo que vemos diariamente nos ditos telejornais, facilmente percebemos que muitos dos assuntos tratados são do género “eu vou ali e venho já”.

Seria fantástico se todos os humanos percebessem as vantagens de uma ideia destas. Com toda a certeza posso afirmar que todos os habitantes deste planeta iriam ficar mais informados sobre a realidade mundial em que vivem. Seria um processo de relativização das necessidades e vontades dos diversos povos pois as realidades existentes são tão díspares que não nos podem deixar indiferentes.

Agora imaginem a ONU começar a pensar no assunto. Como organizar tudo isto? Realizar uma Assembleia Geral, no edifício de Nova Iorque, e o engenheiro António Guterres subir ao palanque e explicar que todos os países ( deste planeta iriam ter um dia só para si, para comemorarem a sua existência e que, nesse dia, teriam que enviar para todas estações de televisão do mundo cinco minutos com conteúdos sobre o respectivo país. Claro que iria haver batota. Seriam só flores, pelo menos de início, mas com o tempo os países tenderiam a embelezar a coisa… o que poderia ser resolvido com emissões próprias das televisões dos diversos países sob supervisão da ONU… enfim, não seria fácil, mas fica a ideia.

Por falar em ideia, a ideia inicial deste texto era outra mas… depois, pus-me a olhar para o meu umbigo e achei que era o mais inteligente à face da terra e que as minhas ideias são… do outro mundo.