Arquivo da Categoria: A autogestão do tacto.

Um entre muitos… sexagenários.

Quando fiz cinquenta anos fui comemorar. Foi a minha primeira vez. Nunca liguei muito a aniversários. Digo. Aos meus aniversários. A vida foi correndo como tinha que correr. Digo. Sem tirar nem meter. Foi assim que correu e os aniversários nunca me disseram nada até… chegarem os cinquenta. Nessa altura tive um choque psicológico. Foi mais um choque que eu deixei que me passassem pois, na altura, não me tinha apercebido que fazer cinquenta anos é um marco na vida das pessoas, tal e qual fazer cinquenta nos de casado ou cinquenta anos de vinte e cinco de abril. Reconheço que poderá ser um número icónico. Mas na altura não sabia disso. Fiz, realmente, cinquenta anos de existência mas a minha cabeça estava noutra galáxia e muito longe destes problemas terrenos. Coisas da minha vida, da minha existência e que não passam pelo lugar comum da existência humana.

Enfim. Uma ocorrência insignificante. Nada que um GNR não possa tomar conta.

E passaram alguns anos. Nem muitos, nem poucos. Dez, para ser mais preciso. Sim! É verdade. Cinquenta mais dez faz sessenta! Eu acho um número mágico. Claro que se fosse um seiscentos e sessenta e seis seria outra coisa mas, no que diz respeito ao assunto que me trouxe hoje a este espaço lúdico não faz muito sentido. Sessenta é o número. O número da realidade. E não, não vou acrescentar “da triste realidade” porque eu não sou nenhum triste. Não fico triste por estar associado a um número destes. Como poderia?

Claro que os meus amigos sabem o que este número quer dizer para mim (mas aqueles que só aparecem de vez em quando para lerem o que me vai na alma e não me conhecem de lado nenhum… podem não ter percebido que estou prestes a ser um sexagenário. Sim, calha a todos.) ponto. Os meus amigos também sabem que eu sou um ser positivo, sem grandes complicações de funcionamento, que gosto da prática, da resolução dos problemas, da sua execução e que não costumo fazer grandes dramas perante situações adversas. Também sabem do meu passado e não me levam a mal.

Por falar em passado. Há uns anos atrás eu ouvia The Cure. Adorava. Estive neste concerto em Londres e foi uma sensação fantástica, como não podia deixar de ser para quem se prezava em acompanhar o que de melhor se fazia naquela época. Entretanto a vida continuou e eu deixei de ouvir violas e guitarras com pessoas a cantar. Cansou-me. Aquela coisa das bandas, com as cenas dos músicos… não fazem mais parte da minha existência. Fiquei assim há muitos anos, antes, muito antes dos quarenta e assim me irei manter. Só gosto de ouvir música eletrónica, muito particularmente de trance psicadélico, mas confesso que por vezes dou comigo à procura de versões eletrónicas de êxitos de outros tempos… digamos que é uma fraqueza “nostálgica” da minha pessoa. E sim, todos os seres humanos têm fraquezas, sejam eles trintões, adolescentes ou sexagenários, belos sexagenários.

Já chega de musiquinhas porque não foi para escrever sobre os meus gostos musicais que eu decidi ressuscitar vinte e oito dias depois da última aparição. Eu sei que mais ou menos há dois mil e vinte e um anos atrás também houve um personagem que ressuscitou, mas esse era muito diferente de mim. Dizem que era loiro em terra de morenos, que era tão alto e forte que até conseguia levar uma cruz de madeira, pesada, por montes acima, sem pestanejar e que usava o cabelo solto, pelos ombros, envergando uma túnica de linho, sem mais nada por baixo. Já eu, nem nos meus tempos de verdadeiro atleta, conseguiria arrastar uma cruz com aquele peso todo, muito menos vestidinho com uma túnica, com tudo a abanar. Não, a bela cueca é fundamental para manter a compostura.

Pormenores à parte, importa aqui realçar que o que me trouxe de volta a este privilegiado espaço foi eu saber que tenho uma outra vida pela frente. Pelo menos uma porção de vida, uma porção de uma outra vida e que esta porção seja, espero eu, maravilhosa.

Eu tenho muitos amigos. Uns mais velhos e outros mais novos. Não sou, portanto, aquele que vai com a cruz na frente da procissão. A vida corre naturalmente e uns já passaram por isto, outros ainda irão passar. Quando olho para o passado emociono-me sempre (imaginem tudo isto, toda esta potência vocal, este aparelho fonador, num balada dos Xutos e pontapés, em vez da xaropada que é a voz do Tim) e pergunto-me como foi possível ter tido o privilégio de me relacionar com pessoas assim, maravilhosas? A minha vida tem sido rica em emoções e em relacionamentos. Não me lembro de pessoas más que tenham passado pela minha vida. Com toda a certeza que já devo ter passado por situações menos boas mas delas não me lembro e não escrevo isto para ficar bem na fotografia. Não, não me lembro mesmo de me ter relacionado com pessoas que não tenham valido a pena conhecer. Um sortudo, portanto.

E o futuro, senhores, o futuro?

Depois se verá.

Há dias e dias.

Por hoje já trabalhei o que tinha que trabalhar.

Esta é uma frase fraquinha para começar um texto, mas nem todos nasceram com uma veia poética e, muitos mais (nos quais me incluo) não nasceram sequer para escrever, seja o que quer que seja.

Mais uma frase daquelas que vou ali e venho já, mas hoje vai ser conforme sair. Não quero saber. Porque haveria de querer saber? Afinal de contas ninguém vem ao estaminé ler o que vou para aqui escrever e, sendo os que o fazem meus amigos, já me conhecem de ginjeira e não se vão zangar comigo por causa de uma frase mal construída, uma vírgula mal atirada ou uma caralhada no meio de muitas outras palavras bonitas que eu sou capaz de espetar num texto. Não quero mesmo saber e eles também não.

Por isso, vamos a isto.

Hoje está um dia de sol. É bom sentir o sol. Cá em casa temos andado a tentar evitar o contacto visual. E não é fácil, nada fácil apesar de termos espaço individual suficiente para não nos cruzarmos mas… há sempre aquela hora em que temos que almoçar… jantar… e aí não há nada a fazer. Como nós, milhares de outras casas neste Portugal devem estar com o mesmo problema. A sanidade mental é um assunto sério, muito sério e que devemos encarar numa perspetiva de futuro porque hoje não temos consciência da forma como tudo isto nos está a afetar nem percebemos como poderemos vir a ficar. Apenas nos vamos apercebendo que as nossas reações e as nossas relações estão ligeiramente diferentes.

Será que é normal eu começar a estufar uma carne para o jantar às cinco da tarde? (bem, comecei com um exemplo ainda mais palerma do que todo o texto porque o fêcêpê joga hoje e o jantar tem mesmo que estar pronto a tempo de eu ver aquele conjunto de pessoas atrás de uma bola) (e que ganhe quem tem que ganhar e que vocês sabem qual é, ou não sabem? Pensei que não!).

Será normal que as pessoas passem um tempo infinito agarradas a um ecrã (pequenino, maior um bocadinho, normal mas com teclas em três dê ou um qualquer que esteja encostado a uma parede e que tenha um comando?) (obalhamedeus que este também é um exemplo típico de quem não pensou muito no assunto porque se pensarmos bem nesse bocadinho assim, que está em falta, percebemos que não faz sentido pegarmos num conjunto de folhas, todas juntas, com muitas letras, palavras, impressas e que dão uma trabalheira imensa a juntar… e é muito mais fácil estarmos a olhar para algo que brilha).

O texto está difícil de sair. Estou com a impressão de que não acerto uma.

E questiono-me. Porquê?

Afinal de contas esforço-me por acertar. Como todos os professores, tenho que tentar e saber chegar aos meus alunos. Tenho mesmo que saber comunicar, não é verdade? Pois, mas isso é com os meus alunos.

Por estas bandas a coisa funciona de forma diferente.

E bem que podia perguntar se é normal enfiar na cabeça tudo aquilo que existe nesta casa? Chapéus, bonés à guna ou lenços coloridos? (porque eu não gosto de nada que me faça lembrar esta vida a preto e branco que andamos a viver, ultimamente). Ia acrescentar repolhos, folhas de alface ou cenas a três velocidades com vinte e três centímetros de autêntica profundidade mas isso outros cinquenta.

Após este pequeno texto introdutório, passemos então to the main course.

Eu não sou rapaz para andar 7/24 nas redes sociais. Não sou. Quem quiser que o faça. A mim aborrece-me. Ando por lá o tempo suficiente e que eu considero razoável para continuar sem a sanidade mental que todos os frequentadores acham que têm mas, na realidade não têm. Como? Não têm sanidade mental? Só eu é que tenho a dita cuja da sanidade mental? Não (sorriso sonso). Eu tenho mas há muita mais gente que também a tem.

Mas que anda por lá muito boa gentinha que parece que nasceu anteontem com um dentinho de fora, lá isso parece. Anda muita azia a pairar no ar. Não acham? Eu acho. Por qualquer coisinha que se possa dizer menos acertada há um conjunto de vozes vindas dos céus que nos paralisam e nos deixam desconcertados. Não é que eu ande por aí a comentar isto e aquilo. Sim, porque eu não sou desses… e sim, gosto mais de ler e ver como param as modas. Algum problema com isso? (até parece uma resposta típica do tom com que eu me costumo escandalizar…) As redes sociais são amargas. Anda meio mundo zangado com a outra metade e eu não tenho paciência. Tenho pena por ser assim mas acho uma perda de tempo.

O texto prometia, não prometia?

Pois.

Nem com o irish… a ajudar…

Custa-me a crer que irei acrescentar algo de criativo à minha vida ou de todos aqueles que costumam ler os textos que vou deixando espalhados por aqui. Não sei porquê mas tenho a leve sensação que andamos todos a encher balões. Se ao menos tivéssemos uma botija de hélio à mão… a coisa ainda poderia virar divertida. Assim, é mais do mesmo. Uma falta de energia assustadora. Pelo menos é isso que eu sinto. Estar em casa, com imenso tempo para fazer uma data de coisas que estão pendentes e… nada. Não consigo ser produtivo. Não tenho trabalho porque vim de férias compulsivas e nem sequer aulas online tenho, para já. Bem sei que posso ser mal interpretado porque muitas pessoas estão mesmo sem trabalho, nem em casa nem em lado nenhum. Todos estamos a viver situações difíceis, umas mais assustadoras do que outras mas todas elas marcantes.

Gostaria que fosse diferente. Quem não?

Escrito há quinze dias… e ficou a meio…

Boys don`t cry . Esta coisa de estar em casa há tanto tempo tem mexido com uma parte do cérebro. Ainda não sei a extensão da mexida mas que tem mexido, lá isso tem. Apenas consigo identificar alguma inércia. Fico danado com o facto de, por vezes, não ser tão perspicaz e activo como gostaria. Não é que seja lá muito perspicaz e muito activo por natureza mas como tenho tempo para pensar gosto de imaginar que o sou. Não é por nada. Mas gosto de me entreter a pensar na vida, na vidinha. Na minha vidinha, porque a dos outros não me diz respeito e quem sou eu para opinar sobre o que as outras pessoas pensam/dizem/escrevem/pintam/cantam ou lá o que quer que seja. Sou pequenino. Mas tenho uma certeza. Somos todos pequeninos. Estamos todos, ou quase todos, enfiados em casa com medo de morrer, a pensar que a vida é tão efémera e que a devemos aproveitar ao máximo. Bem sei que as generalizações são perigosas mas se não for o caso então estou muito enganado acerca do sentido da vida… Oh my god, que só me consigo lembrar da Vida de Brian.

Adiante.

Tenho andado a pensar na minha vida passada. Não quero saber de planos para o futuro. Tenho andado às voltas com o meu passado. Não tenho a percepção que o mesmo esteja a acontecer com as outras pessoas. Frequento algumas redes sociais e não me tenho apercebido deste tipo de preocupações. Também não quero saber, nem me interessa por aí além aquilo que as pessoas pensam em determinados momentos da vida delas e da minha vida. Os tempos são muito personalizados e raramente coincidentes, por isso não há necessidade de fazer grandes filmes sobre o impacto que aquilo que escrevemos tem nas pessoas que nos rodeiam. Já li tanta coisa que na altura em que li não representou nada, nem tiveram impacto na minha vida, e que passados uns tempos tive a oportunidade de reler e aí foi completamente diferente. Acontece. Frequentemente.

Adiante.

Quem nunca “botou” a mão na consciência e ficou a pensar nos períodos menos bons da sua existência? Eu “boto” muitas vezes a mão na consciência. Também “boto” a mão em muitos outros sítios. Uns mais prazenteiros e outros nem por isso. Mas, sim, eu já magoei muitas pessoas. Bem, também não foram assim tantas. Mas as que magoei foram importantes para mim. E nesta altura do texto, convém explicar que a palavra “importância” também não pode ser considerada uma atenuante. São pessoas para as quais até posso nem sequer ter sido importante para elas e por isso aquilo que é importante mesmo, pelo menos para a minha consciência, é que as magoei enquanto seres humanos. Está a ficar tudo muito rebuscado. Aliás, essa é uma característica do ser humano. Complicar. Rebuscar. Tudo para conseguir encontrar um caminho suave. E eu não sou mais do que os outros seres humanos.

Vou passando o tempo, assim…

Success. Acabei agora de ver esta série Sérvia. Gostei. Apesar de não gostar do povo Sérvio, por razões históricas recentes, pelas imagens adorei a cidade de Zagreb e, por aquilo que vi, não me importava de viver lá. Estive lá há quarenta anos atrás. Dizer que estive lá…é uma força de expressão pois estive em trânsito para Belgrado para participar numa Taça de Clubes da Europa em Atletismo. Outros tempos. O muro de Berlim ainda não tinha caído e nem sequer se sonhava com isso e, apesar da antiga Jugoslávia não ser um país alinhado, notava-se uma grande influência de leste. Belgrado, daquilo que me foi permitido ver naquela altura também tinha aquelas avenidas largas, construções de edifícios altos onde moravam pessoas, com amplos espaços verdes envolventes. Pareceu-me uma cidade quase criada de raiz e devidamente pensada e ordenada. Estou a falar da parte nova da cidade. Enfim, outros tempos.

Hoje, enfiado em casa, vou-me limitando a viajar agarrado a um ecrã…

Estou de volta.

Já deu para perceber porque é que estou de volta. E não. Não é por causa do confinamento às quatro paredes a que estamos destinados por estes tempos difíceis. Simplesmente concertaram-me o blogue, por dentro… pois estava infectado (nem de propósito) com um vírus e constituía um perigo para quem abria a página. Espero que não tenha mexido o funcionamento dos vossos computadores. Para mim é mais fácil ficar em casa do que concertar estas cenas difíceis da informática ou lá o que lhe quiserem chamar.

Estou em casa. Sim, é verdade. Tal e qual milhares de outras pessoas.

Cá por casa vamos tentando encontrar algumas rotinas. É difícil. Uma das novidades cá por casa é eu não cozinhar todos os dias e a todas as horas. Repartimos as idas à cozinha. É bom para ambos. Quando não é a minha vez posso estar mais relaxado e com tempo para me deixar arrastar naquilo em que me meti. Por exemplo, hoje ao meio dia vai ser a minha rica senhora que vai fazer uns medalhões, com puré e um molho espesso que só ela sabe fazer (eu sou mais bruto no que toca aos molhos…) e acompanha um puré… Vai ser bom.

Entretanto eu estou aqui, no blogue, a tentar escrever o que me vai na alma. Sim, eu sei. O que me vai na alma? São muitos dias em casa e eu também tenho direito aos momentos de verdadeiro azeite. Ser um azeiteirola e começar a escrever palavras fofas. Não sendo cristão, sempre posso acrescentar: seja o que Deus quiser (Deus com letra grande, que o respeitinho é muito lindo. Então nesta hora de aperto…) e espero voltar ao meu normal…

Neste momento, o meu normal passa por estar acompanhado por um copo, pequeno, de vodka, de uma garrafa que comprei no freeshop há cerca de um mês. Sim, foi na nossa última viagem e não se percebe como é que a garrafa se manteve intacta até esta data. Deve ter sido o meu décimo sexto sentido que me levou a guardá-la para momentos mais importantes na minha vida.

Sim, este momento é importante.

Mas vamos continuar a ter vida quando este pesadelo terminar.

Eu desconfio que vou ter uma vida diferente, mais redonda (que é como me sinto porque passo a vida a comer…) com um hálito a álcool (que é como me sinto porque passo a vida a… desinfectar as mãos…) com a preocupação de falar mais baixo (e a perceber que a deformação profissional pode mudar as nossas condições de convivência… porque é isso que as minhas filhas me dizem… que falo alto…) porque sou um afortunado por estar confinado a estas paredes mas na companhia da minha família (para quem está sozinho deve ser muito mais difícil e eu sei do que falo) e depois temos os nossos pequenos prazeres.

Tudo bem. Temos que trabalhar. Eu como todos os outros professores temos que ir fazendo aquilo que conseguimos através das plataformas disponíveis, mas essa é uma outra cumbersa… que não é para aqui chamada.

Eu estou a falar dos nossos prazeres. Daquilo que gostamos mesmo de fazer. Daquilo que fazemos ao longo do dia e, quando estamos com a cabecinha na almofada, nos lembramos de uma doce memória recente. Por exemplo, ontem, quando me virei para a minha rica senhora, poucos momentos antes de adormecer, senti o gosto do merengue de limão que ela fez de sobremesa. Não será a mesma coisa do que fazer o amor, dirão alguns dos puristas que acham que o mais importante é fazer o amor. Fazer o amor bem feito, ainda por cima, que isto de fazer o amor às três pancadas foi no outro tempo. Aquele tempo em que não estávamos confinados às quatro paredes do isolamento e em que…

Fica a interrogação.

E não. Não vale começar a chorar com as oportunidades perdidas. O caminho ainda está para vir. Caminhem.

12 anos de frustração! Sim, 12 anos!

Não sei quem é o autor. É uma das milhentas fotografias que nos chegam sem sabermos muito bem como…

Começar um texto com um título daqueles e depois aparecer uma imagem destas…vai dar a ideia que a minha frustração é de natureza sexual… Não é. A fotografia de cariz sexual faz parte deste blogue pessoal. Apenas isso. Apesar de que ultimamente nem escrevo, nem publico fotografias. Uma tristeza, digamos assim. O que me vai valendo é o belo sheik

Quem se der ao trabalho de carregar no link do sheik vai perceber que vai aterrar no Burning Man, neste caso de 2018. E é aí que tudo começa, porque era lá que eu gostaria de ter estado, a dançar como se não houvesse amanhã. Sim, eu adoro estas festas e sim, eu adoro dançar. Também sei que já não tenho vinte anos e que já não trepo pelas paredes… foi um tempo bonito da minha vida. Mas continuo a achar um piadão a estas festas, a estes ambientes… e a pensar que também poderia lá estar, numa versão mais slow motion, digamos assim… mas a divertir-me.

Mas isso agora, não interessa nada.

Não é por isso que ando frustrado há doze anos.

As razões são outras.

Já pensaram que, alguma vez na vossa vida, fizeram a escolha errada? E que essa escolha teve consequências pesadas para a vossa vida? Do género: arrependimento total? Daquele género de arrependimento que quase sai da pele, de dentro do corpo, e nos faz querer dizer: puta que pariu que eu não nasci para isto? Já? Pois bem me parecia. Tal e qual eu!

Eu não nasci para levar a vida que levo. E não tem a ver com o facto de ter uma família. A minha família, eu adoro, e não trocaria por nada. Tem a ver com a minha vida profissional. Sinto que estou atolado, até ao pescoço. Sinto que não foi nada disto que eu perspectivei quando decidi ser professor. Eu não fui para professor com a ideia de me tornar milionário. Tomei a decisão de apostar nesta profissão porque sou uma pessoa expansiva, com conhecimentos e, acima de tudo, com a certeza de que poderia acrescentar alguma coisa positiva aos seres humanos que estariam à minha frente numa qualquer sala de aula. Esta pode ser uma visão meio apalermada daquilo que eu penso e estou consciente de corro o risco de ser mal interpretado por algum ser humano mais retorcido mas, não quero saber, literalmente. Não sou hipócrita ao ponto de não assumir que esta profissão deveria ser bem paga. Deveria ser bem paga, mesmo. É, também, uma profissão que deveria ter reconhecimento social. O reconhecimento social não se traduz por palmadinhas nas costas e reverências irracionais. Não é nada disso que os professores procuram. Os professores não são mais do que os outros seres humanos. Gostam de ser reconhecidos pelo papel que desempenham numa sociedade. É normal que não gostem de ser insultados, agredidos ou humilhados. Ninguém gosta! Qual é a dúvida?

Professor é um ser humano normal, gosta de coisas normais. Como estas! Certo? Consequentemente, necessariamente…

Agora, depois do devaneio, vem a parte em que eu me queixo, a sério, destes políticos portugueses, que decidem a vida das pessoas deste país e que, na maioria das vezes, decidem mal, muito mal, com consequências nefastas para o futuro das outras gerações…porque a deles está mais do que assegurada. Sim, esta cambada de profissionais da política, arruinou os recursos existentes em proveito próprio. Digam-me um, digam-me um… político que esteve na esfera do poder e que, actualmente, esteja a passar dificuldades… Não encontram nenhum, pois não? Bem me parecia! Esta cambada de personagens que se apoderou dos centros de decisão, após o dia da liberdade, não estava minimamente preparada e… as mordomias estavam mesmo ali… à mão… vai daí… deram cabo disto tudo. Mas esses são outros quinhentos!

Focando, novamente, na ideia inicial.

Escola.

Professores.

Alunos.

Operacionais educativos.

Não necessariamente por esta ordem.

Uma comunidade educativa nunca é igual a outra. Cada uma tem as suas características. Para o bem e para o mal. É difícil perceber isto? As regras absolutas que nos impingem desvirtuam o objectivo inicial. Eu gosto da minha escola. Gosto das “características” dos alunos que por lá pairam. Mas estou cansado. Eles, os alunos, não têm culpa do meu cansaço. Eu também não. É o peso dos anos numa profissão. Os alunos são tão diferentes e os professores são tão iguais ao que eram.

É tão difícil perceber esta nova dinâmica.

E o que é que os iluminados decidem?

Burocratizar.

Sim, burocratizar.

Sistematizar tudo aquilo que não deve ser sistematizado.

A anulação do factor humano é o objectivo.

A quantificação é o valor supremo…

Enfim, essa seria a razão inicial destas palavras mas até nisso eu acho que não me devo alongar porque estou farto da conversa da treta…

Pronto, não me apetece escrever mais nada.

Porque estou cansado e amanhã tenho aulas de apoio para exame e não consigo arranjar mais energia para continuar com o raio do texto da… frustração…

Fiquem bem. Ouçam o belo do sheik. Façam aquilo que até os bichinhos gostam de fazer e sejam felizes com elas, eles, misturados ou não…

Ah,

E digam lá se não são umas belas mamas?

Eu gostei…

Texto sem imagens. Sim. Sem imagens.

Quatro dias se passaram. Quatro dias? Nos tempos que correm é uma distância temporal muito curta para o meu gosto. Escrever o que quer que seja com a distância temporal de quatro dias é um risco enorme. Corro mesmo o risco de ainda parecer mais inócuo do que aquilo que já sou. Alturas houve em que achava que devia escrever todos os dias. Palermices de um cinquentão decadente. Com o tempo fui aprendendo que não adianta escrever seja o que for. Ninguém vai ler. Por isso, e como percebi que escrever é um assunto pessoal, passei a ter o meu tempo…pessoal. De acordo com as minhas vontades.

Com as minhas vontades?

Quero dizer! Com as vontades que posso partilhar neste espaço. Não vou, nem posso, descambar porque sou professor numa escola pública e, noblesse oblige. Mas a minha sorte é que ninguém vem cá ler… ou, pelo menos, quem vier cá espreitar sabe ao que vem… no entanto… não posso posso falar dos meus desejos sexuais mais íntimos ou das vontades escondidas. Não seria compreendido. Todos sabemos disso. Eu bem queria acreditar que não receberia qualquer tipo de crítica se me pusesse para aqui a falar da intensidade muscular que o sexo anal exige ou da dificuldade em respirar quando o sexo oral é mais intenso do que o costume. São assuntos susceptíveis de más interpretações. Todos sabemos que o sexo oral faz parte da rotina de qualquer adulto mas não fica nada bem imaginar que determinada pessoa que conhecemos muito bem tem como prática habitual o sexo oral.

Sexo oral:

“Sexo oral consiste em toda a atividade sexual no qual ocorre estímulo dos genitais com a boca, a língua e com a garganta. Quando é feito no homem normalmente é chamada felação/Fellatio e quando é feito na mulher se chama cunilíngua/Cunnilingus.”

Como será que vamos cumprimentar essa pessoa?

Tenho um amigo (e não vou especificar se era grande amigo ou amigo normal, ele vai saber) que tinha umas cenas regulares com um outro amigo, que não eu…

Pás… pás… pás… aquilo era sempre a aviar mas quando chegava à hora do sexo oral… a coisa corria sempre mal porque a tal companhia regular, era casado, e tinha filhos, e não queria chegar a casa e ter que beijar os filhos com a mesma boca que tinha andado na desgraça do sexo oral…

Não é delicioso?

Já se imaginaram?

Pois.

Somos todos tão diferentes…

Mas dentro da diferença todos nós, como verdadeiros sucedâneos da cultura judaico cristã temos que nos resguardar das cenas… somos todos muito modernos quando a coisa toca na bunda dos outros…

O sexo é um verdadeiro não assunto. Andamos todos a pensar nesse assunto, o do sexo, mas parece que ninguém se sente “confortável” para se meter de bruços e tratar do verdadeiro… assunto…

E eu nem percebo muito bem porque é que estou a perder tempo com este não assunto. No fim de contas, o que eu quero mesmo é ir acabar de fazer uma bela de uma francesinha, com um molho super picante, que me vai levar ao céu e, quem sabe, às estrelas.

O Belhinho (gosta de imagens… duvidosas…?)

O Belhinho gosta de oubire sheik. Sheik do bom. Porque o Belhinho é bom.

Aliás, o Belhinho gosta de muitas outras coisas. Tudo coisas boas, diga-se de passagem.

O Belhinho gosta de pessoas bem humoradas. Porquê? Porque o Belhinho gosta de se rir. Rir é um bom remédio. Quem não se ri, não é filho de boa gente. Então, imaginem, quem não se ri de si próprio, é que não é mesmo filho de gente excelente.

O Belhinho acha que é excepção. Quer dizer, tem a certeza de que é filho de boa gente mas… não tem a certeza quanto à parte de se rir de si próprio. O Belhinho é orgulhoso. E ser orgulhoso não ajuda lá muito na evolução do verdadeiro ser humano. Também não é difícil perceber que o Belhinho acha que é um ser humano acima do verdadeiro ser humano. São manias do Belhinho, que acha mesmo que é um daqueles… como se diz?… um eleito, por assim dizer!

O Belhinho é um parvo.

Passa a vida a falar de si.

Quem quer saber do Belhinho?

Ninguém!

A vida é madrasta!

Podíamos todos gostar uns dos outros. Não era fantástico? Mas não é bem assim!

E é por isso que o Belhinho gosta do belo Sheik. Um belo Sheik acompanhado por tudo aquilo que o transporta para outra dimensão. E o Belhinho é como o Jardel. Na terceira pessoa. Como se fosse imortal.

Mas não é!

O Belhinho está mais para lá do que para cá!

O Belhinho está cansado da vida.

O Belhinho está cansado de trabalhar.

O Belhinho está cansado da sua vida.

O Belhinho vai mais longe.

O Belhinho está cansado do seu destino.

O Belhinho gosta de reviver a puberdade.

Belhinho?

Já chega de Belhinho para a frente e para trás.

Com tanta coisa a acontecer neste mundo… por favor…

Também aconteceu que o Belhinho realizou um desejo muito antigo, muito desejado mas que, por artes e magias só agora foi possível.

Passando para uma outra dimensão.

O Belhinho tem uma família. Uma família linda. Linda no sentido de que a nossa família é sempre a mais linda deste mundo. Para mim é suficiente que assim seja. Neste caso, a família do Belhinho tem mais um ser humano do sexo oposto, que não tem nada de Belhinha, e mais duas criaturas, do sexo feminino, adolescentes e a arrastar a asa para a parvoíce. Nada de mais. É a tal família.

E o Belhinho foi com a maravilhosa família cumprir um… posso dizer? Desejo? Não foi um desejo individual. Toda a família queria realizar o… tal do desejo…

O caralho do Belhinho está a escrever este desajeitado texto sobre um caralho de um velho desejo, ainda por cima a ouvir ABBA. Pode não parecer uma boa ideia, principalmente porque o texto mete caralhadas e o Belhinho não é personagem para meter umas caralhadas pelo meio.

Pronto, já passou, a parte das caralhadas. Daqui em diante o nível vai ser mais elevado, com toda a certeza.

E vendo bem. O Belhinho quer lá saber dos desejos. Da família e dos seus próprios. O Belhinho quer viver a vida que lhe resta. Escrever uma data de palermices. Ouvir o que lhe apetece. Dançar com a energia que ainda acontece. Beber o que cai do céu e pensar que o dia de amanhã pode ser o… primeiro dia das nossas vidas!

E o tal desejo?

Fica para outro dia, que se faz tarde.

A vida é uma perfeita palermice. Já repararam?

Mas afinal, o que é que andamos aqui a fazer. Já sabemos que vamos todos morrer. Todos nós sabemos que o caminho é sempre o mesmo. Quero dizer, vai dar sempre ao mesmo sítio, não é verdade? E no entanto… cá andamos nós à procura. Não se sabe lá muito bem do quê. Nascemos e vamos crescendo, por ali fora, por um caminho desconhecido, até começarmos a ter alguma consciência do que é a vida. E alguma é mesmo a palavra certa porque na realidade apenas tentamos não andar aos encontrões, às pisadelas e às cotoveladas por esse mundo fora. Digamos que não é fácil. Mas que tentamos, lá isso é verdade. Quem é que nunca se pôs em frente ao espelho, pelas sete da manhã, depois de tomar o belo do banho matinal, a questionar o mundo e a afirmar convictamente que o dia vai ser mesmo do outro mundo? Com convicção! Bem, eu não quero parecer convencido e expert em estatística mas quer-me parecer que uma grande parte dos seres humanos que fui conhecendo ao longo da minha vida, pelo menos uma vez na vida, pensaram assim, nem que fosse apenas quando acordaram com alguém ao lado que… não perceberam lá muito bem como apareceu… por ali… São cenas que acontecem. Mas voltando atrás, porque senão a coisa vai descambar em conteúdo sexual pouco explícito e dúbio, o que não é nada aconselhável.

O que importa, mesmo, e apesar de ser completamente inexplicável. O que importa mesmo é que acreditemos que o dia de amanhã vai ser mesmo do outro mundo. Não interessa mesmo nada que todos saibamos que vamos morrer da mesma maneira. Não adianta nada, mesmo nada. Com o tempo vamos aceitando os dogmas que são da nossa conveniência. O meu verdadeiro dogma não tem nada a ver com a religião. Aliás, a religião é uma cena que me aborrece profundamente. Não consigo perceber como não se consegue viver para além da religião. Quero dizer. Não consigo perceber como foi possível o ser humano chegar ao ponto de viver em função ou condicionado, como quiserem chamar, pela religião. Bem sei que é uma conversa para mangas, as mangas da túnica de Jesus… larguitas…

Mas Jesus não é para aqui chamado.

Ao longo da minha vida fui percebendo que cada ser humano aprende a encontrar o caminho que é mais conveniente para si. Mais aconchegante. Onde se sente mais confortável. É legítimo. Ou não é? Claro que é. Aliás, tenho a ligeira impressão de que ninguém é melhor do que… o outro… E se eu não tenho a capacidade mental para aceitar os dogmas religiosos das outras pessoas não poderei pensar que, só por isso, sou muito melhor do que elas.

Continuo a parecer um adolescente tardio.

Mas é o que dá trabalhar o dia inteiro. Chega-se a casa cansado. Com vontade de nem sequer ouvir uma mosca das pequeninas. Mas a vida não é bem assim, pelo menos para quem não acredita em dogmas religiosos…

Vou deixar para depois porque não sei… ainda… o assunto…

Final de tarde, a ouvir Gus Gus e a pensar na vida. O ingrediente necessário porque pensar na vida custa e não há nada como um belo sheik para soltar tudo aquilo que temos de mais primitivo dentro de nós. Assim, de repente, parece assustador. Será que o rapaz é mesmo primitivo? Assustador? Pensam vocês, que se limitam a ler estas palavras sem me conhecerem de lado nenhum… já que presunção e água benta eu posso distribuir como quero e, assim, achar que tenho outras pessoas para além dos meus amigos chegados que perdem o seu tempo a ler estes textozinhos do coração… e esses sabem que eu sou tudo isso e mais alguma coisa.

Devia estar a fazer outras coisas. Devia estar a elaborar um teste para História da Arte mas… não me apetece. Está meio feito e amanhã ainda é dia, por isso, e como os dias estão a crescer vou pensar que a vida são dois dias, dos grandes.

E volto a olhar para trás.

Para a minha vida.

Para onde eu fui olhar. Tenho sempre um embaraço enorme de falar sobre a minha vida. Acho mesmo que é um daqueles complexos judaico-cristão que me meteram na cabeça quando eu era pequenino. Deve ter ficado gravado cá dentro. É preciso muito azar porque, logo eu, que não tenho nada a ver com a moral judaico-cristã… Mas não consigo olhar para trás sem me sentir inibido. E não consigo mesmo perceber porquê. Os meus pais nunca foram de missas e quando eu fugi da catequese e o padre foi lá a casa queixar-se eles nem sequer me repreenderam à frente do mano da batina… e nunca mais me disseram para eu ir receber os ensinamentos… porque sabiam que eu queria mesmo era ir ver os jogos do Ramaldense, sim, esse clube mítico da cidade do Porto onde começou a jogar o Humberto Coelho… No Ramaldense os jogos eram sempre animados, muita sarrafada e muito vernáculo. Muito melhor que a cena do mano da batina. Adorava ir ver aqueles jogos. Estamos a falar de há muitas décadas atrás, era eu ganapo, que andava na rua e brincava na rua. Esta era a parte infinitivamente (esta palavra não me parece muito acertada mas é o que se arranja…) superior aos tempos de hoje. Podíamos não ter nada de jeito, uns sapatos para o ano inteiro, uns calções pelo joelho, umas camisolas daquelas que não lembram ao diabo e um cabelinho cortado à se te apanho… (sim, começa por um efe…) e andávamos à guna nos eléctricos e à fruta nas quintas do Porto… digamos que foi uma infância sem grandes coisas, sempre encardido e com as unhas cheias de terra… mas com um sorriso enorme. Foram outros tempos, nem melhores nem piores do que os actuais. Foram os meus tempos.

Acho que o problema é outro.

Tenho vivido a vida de uma forma intensa. A minha vida. É a única que eu tenho. É intensa para mim. Que posso fazer? Pode ser tudo o que os outros quiserem mas para mim é a minha realidade. Acho que é assim para toda a gente. Temos a mania que somos especiais. Que temos qualquer coisa de je ne sais pas quoi…? e que os outros não têm… no meu caso sei que os outros têm mas que eu também tenho. Que se vai fazer? Parece uma verdadeira contradição com os ditos cujos preconceitos judaico-cristãos mas, no meu caso, não são porque eu tenho a consciência do que sou, só não gosto de o mostrar… a tal parvoíce JC…

Mas é uma parvoíce própria da minha geração. Sim, sou daquela geração que estava imediatamente abaixo daquela que governou o país durante estes quarenta e tal anos e que não teve a possibilidade de lá chegar porque aquela malta toda agarrou-se ao poder e de lá nunca mais saíram. Se eu pensar de uma forma meramente egoísta, facilmente chego à conclusão que ainda bem que tal não sucedeu, que não tive hipótese. A maior parte dessa malta que se apoderou do país sem estar minimamente preparada deu cabo disto tudo. Não é inveja. É apenas a constatação de um facto. Este país é um país de corruptos devido a esta classe política que nos (des)governa e a minha geração assistiu sempre a tudo isto de bancada, por isso estou de consciência tranquila, pobre mas de consciência mais do que tranquila.

E não é por isso que sou melhor.

Nem pior.

Afinal, eu é mais bolos.

O título é o menos importante.

Começo a olhar para trás. Não é por cima do ombro porque não devo nada a ninguém. É mesmo para o que ficou para trás. Do que vivi e não vivi. E é bom olhar para trás.

A minha vida é como tantas outras. Somos tantos, mas tantos que até me custa estar para aqui a escrever como se fosse o único ser humano neste raio de planeta. Não sou mesmo e mais vale continuar a escrever sem pensar nisso. É assim e pronto (na Póvoa de Varzim diz-se prontos, mas isso agora também não interessa nada) mais vale fazer de conta que este assunto não passa de um dogma. Sim, tal e qual aqueles que a igreja Católica Apostólica Romana nos foi impingindo ao longo destes séculos de existência DC.

Aliás, acho mesmo que todo o ser humano faz de conta que é único. Original e inigualável. Sem sombra de dúvida. Afinal andamos todos cá para isso. Para sermos reconhecidos pelos outros seres humanos. Quem não gosta de uma palmadinha nas costas? De um afago do ego? De uma relação sexual com direito a cigarro no final e a olhar para as estrelas? Quem? Pois é! Todos! E o mais incrível é que também vamos todos para o mesmo local aprazível. Independentemente da raça, credo, clube (claro que quem for do fêcêpê tem direito a um extra…) idade, do tipo de bigode, descontos de irs, tamanho daquilo, se o rabo é gostoso, nada disso interessa. Vamos mesmo para o espaço. O espaço é um termo fofo. Não chateia ninguém. Ninguém sabe o que se lá passa. Pode ser bom ou mau. Pode ser frio ou quentinho. Às vezes tem luz outras vezes é escuro. Pronto. É como nós quisermos pensar que seja. Portanto, fica ao critério de cada um. Se formos optimistas e com verdadeiro sentido positivista vamos achar que o espaço é realmente o local ideal para nós. Se não formos assim, positivistas, também não me interessa mesmo nada e quem for assim que se desenrasque porque eu não quero saber de pessoas negativistas…

Mas voltando ao início.

Olhar para trás nesta fase da minha vida é fantástico. Eu sei que muita gente odeia esta palavra, e eu estou incluído, mas não consigo encontrar outra. Tenho pena mas não consigo. Posso acrescentar que a cena fantástica é na minha cabeça e que, se calhar, mais ninguém vai ter paciência para tentar perceber este fenómeno fantástico… por isso a coisa fica entre nós.

Assim, de repente (na Póvoa escreve-se derrepente mas eu adoro a Póvoa de Varzim…) dá-me a nítida sensação que as pessoas vão achar que estamos na presença de mais um maluquinho, e eu adoro a palavra maluquinho tal como adoro a Póvoa de Varzim, que está a libertar os seus sentimentos, tal e qual um adolescente do final do século vinte… que vive os seus dias perfeitos a achar que o mundo é um local bem frequentado… E eu fui um desses adolescentes.

Nasci em 1961. Aquele ano que se lê de pernas para o ar ou da maneira normal e que dá sempre o mesmo… sim é um ano longínquo mas bonito e especial. Porquê? Porque eu nasci em 1961. Bem sei que nasci na companhia de muitos outros milhões de seres humanos mas, todos esses, não interessam ao menino Jesus ( na Póvoa diz-se Alfredo mas isso não interessa nada agora…) e por isso acho que sou um velhinho (como diz o meu fofinho colega de trabalho) que necessita de algum sheik especial, como eu.

E continuando a achar que a minha vida merece ser contada… fico a pensar que posso escrever sobre o assunto… um dia destes…