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Pode não ter interesse. É sobre a minha vida.

Meio litro de cerveja. Fresquinha e a borbulhar. Depois de duas horas ao sol, a torrar, não há nada melhor do que uma cerveja muito fria. Nos dias anteriores andei a beber limonada. Também não desgosto. Mas hoje… hoje estive ao sol e a ouvir música. Música dos anos oitenta. Sim, toca a todos. Momentos de nostalgia, quem nunca os teve? Pois, bem me parecia. Mas adiante. Como trabalhei da parte da manhã, agora a ideia era mesmo esticar-me na espreguiçadeira e ficar por ali a ouvir música. O problema consistia em conseguir ter acesso às músicas que me apeteciam ouvir. Nada de muito especial (Cure, Cramps, Sound, Carmel, Virgin Prunes, Fall, Phsycadelic Furs, Cult, Talking Heads e por aí fora) e a solução foi o Spotify, o dos tesos como eu, com publicidade pelo meio e que só dá mesmo com acesso à internet. Para já foi assim, depois logo se verá se vale a pena passar para a conta premium.

E gostei. Aliás, gostei muito de estar ali esticado, com os phones, alheado do mundo e a pensar na minha vida. Na minha vida desta altura. Eu não posso dizer que tive várias vidas, como os gatos. A minha vida é que teve várias vidas, todas elas muito boas. Do passado ao presente, não me posso queixar pois sou um ser humano com muita sorte na vida. E não estou a falar de dinheiro ou sucesso social ou o que quiserem chamar. Estou mesmo a falar da vida, vivida com intensidade e sempre muito bem acompanhado por pessoas que me marcaram intensamente. Praticamente não tive momentos negros na minha vida. Tirando a morte do meu pai, não me lembro de nenhum período mau e a vida foi sempre decorrendo com maior ou menor dificuldade (sim, eu nunca vou ter uma vida desafogada em termos financeiros) e tudo se foi compondo com o tempo. Mas voltando atrás, esta vida vivida nos anos oitenta, foi uma rica vida.

Eu nasci em 1961, sim esse número mágico que se lê das duas maneiras: direito e de pernas para o ar. E quem não sabe, o próximo ano em que tal voltará a acontecer será o de 6009, um pouco distante mas que, para aqueles que acreditam na reencarnação, poderá vir a ser o seu ano de eleição… Mas o meu ano de nascimento basta-me para saber que a minha vida vai ser uma vida em cheio… Quando fiz vinte anos era um rapaz que corria, saltava barreiras e era bom naquilo. Só fazia atletismo e sonhava fazer vida daquilo. Era treino pela manhã e novo treino pela tarde. Raramente faltei a um treino e era, como ainda sou hoje, muito disciplinado e organizado nas tarefas que me proponho realizar. Não parece, pois não? Mas sou. E podia ter ido longe se não fosse um conjunto de circunstâncias que me deixaram desapontado e saturado (fui obrigado a ir para a tropa, treinava na terra e tinha que ir a Lisboa para correr na borracha…e não evolui por causa disso tudo) e desisti. Não me arrependo de ter desistido. Trabalhei como fiel de armazém na Pelikan, a das canetas, e que já não existe. De seguida fui para Londres, trabalhar. Regressei e estive um ano na companhia de teatro “Os Comediantes” que me encheu as medidas pelas diversas experiências que vivi, de terrinha em terrinha (Portugal e Espanha), a montar e desmontar o espectáculo, a viver com pouquíssimo dinheiro, mas feliz. Foi nesta época que foram lançadas as bases do meu primeiro casamento… conheci a artista plástica Isabel Padrão, que nesta altura ainda era estudante, e casamos uns anos mais tarde. Não durou muito. Foi mesmo um casamento curto. Coisas da vida. Foi um relacionamento completamente diferente de todos os que tinha tido pois passei a ter contacto com um outro mundo, completamente desconhecido para mim. Já não me bastava ter tido aquela vivência arrebatadora do mundo do teatro e passei para o mundo dos artistas plásticos, com as suas taras e manias… como canta o nosso Marco Paulo…

O que é certo é que com estes abanões todos a minha vida lá foi continuando, sem grandes pressões, um bocadinho para onde estava virado e consoante as necessidades. Fui novamente para Londres fazer um dinheiro, fui não, fomos os dois e depois eu ainda fiquei por lá mais uns tempos, sozinho, para voltar e começar a trabalhar numa secretaria de uns Bombeiros Voluntários, como escriturário… sim a vida dá muitas voltas e estive por lá três anos. Pelo meio entrei em Belas Artes, para tirar Pintura, estudava de dia e passei a trabalhar nos Bombeiros à noite, todos os dias até à meia noite. Às sete e meia da manhã já estava a apanhar o autocarro para chegar às aulas às oito e meia. E sim, raramente cheguei atrasado porque sou disciplinado… e não gosto de dormir muito, por isso, saltar da cama não me custa.

Nesta altura, com vinte e tal anos, achamos que temos o rei na barriga e o mundo aos nossos pés. Era um rapaz um pouco extravagante. Tanto andava com o cabelo todo esticado para o céu, como cheio de brilhantina. Tanto usava umas calças coloridas com um blazer aos quadrados que não correspondia minimamente, como andava de preto ou fato e gravata. Era para onde estava virado. E eu virava-me bem. Não tinha, nem tenho, manias, mas já nessa altura me esforçava por não julgar ninguém por aquilo que aparenta mas dava-me gozo aparecer desalinhado… coisas da juventude. E dançava. Dançava como se não houvesse amanhã e da maneira que só um corpo jovem, atlético e saudável consegue. E vibrava com as músicas… que estive a escolher hoje… daí a nostalgia. E não é que ache que ser nostálgico seja mau. Para mim sempre foi bom recordar o que vivi pois não vivo preso ao passado.

Era para ser uma crónica. Era.

Porque será que me lembrei hoje, logo hoje, de escrever? Por ser dia 13, número do azar? Por ser dia 13 de Maio, o dia mais “religioso” de Portugal? Por ser o dia 13 primo do dia 13 de março e do dia 13 de abril? Quer-me parecer que esta última hipótese é mesmo aquela que me faz acreditar que a vida existe… para além do meu mundo… Sim, este dia 13 marca a minha existência e a de muitos outros portugueses. Faz dois meses que estou enfiado em casa, como tantos milhares de portugueses.

É realmente um dia marcante mas tem sido difícil. Apesar de ser um privilegiado, tem sido difícil. E se começar a pensar a sério no assunto vou ficar deprimido, como já fiquei bastantes vezes durante este período. Tem sido frequente. As lágrimas quererem aparecer. Não deve ser só comigo. Tenho a ligeira sensação que andamos todos mais sensíveis. Mais isolados e descompensados. E mais crus. Pelo menos eu apercebo-me que sou capaz de dizer coisas… de uma forma mais crua, que podem, eventualmente, ser mal entendidas. Quem nunca? Mas nunca atingi ou ultrapassei os limites… mas não é fácil vivermos tanto tempo uns com os outros. O ser humano precisa de espaço.

O segundo dos três efes…

Dizia-me a minha senhora ontem à noite: este fim de semana vamos estar mais perto do tempo da outra senhora. Da outra senhora? Perguntei eu. Sim, das apregoadelas  do antigamente. E quais eram as apregoadelas? Perguntei eu, que não estava a perceber onde ela queria chegar… Então, Fátima; Fado; Futebol. Sim, isso eu sei, respondi eu, mas onde é que isso encaixa neste momento específico? Só estou a ver Fátima… porque é demasiado evidente e nos está a entrar pelos olhos dentro… e já não tenho paciência para voltar ao assunto…

Então meu querido? Não estás a ver que este sábado também vais ter o Festival da Eurovisão? Não é bem fado mas é a “música” como factor de alienação. És um tontito… Já não te lembras de assistir ao Festival da canção naquelas televisões a preto e branco…? Pois tens razão, meu amor. Só que naquele tempo as canções tinham mais qualidade. Ainda me lembro de algumas… mas olha, desde que acabou o tempo da outra senhora até aos dias de hoje, não me lembro de nenhuma. Espera, lembro-me de uma que dizia que o balão subia… Mais nada!

Mas também tenho que ser sincero. A minha vida levou outros caminhos. Enveredou por outros sheiks e foram raras as vezes que perdi tempo com Festivais da Eurovisão… por isso não sei muito bem se, pelo meio, apareceu alguma canção jeitosa… se calhar apareceu… E este ano temos uma canção que anda nas bocas do mundo português e, pelos vistos, pelas estrangeiras também… Tive que ver a eliminatória pois estavam todos a ver lá em casa. Não me custou nada ver, pelo contrário, recuei até à minha meninice… Mas ouvi e vi aquilo com todo o meu empenhamento possível. E fiquei de boca aberta. Como foi possível?  Eu não me revejo minimamente naquilo… mas, vendo bem, também não tenho nada que me rever naquilo… Cada um gosta do que quer e a mais não é obrigado. Eu não gostei de nada. Quer dizer, se o Festival fosse transmitido pela RÁDIO eu poderia concordar com a maioria do povo português que afirma que a canção é muito bonita e o intérprete desempenha muito bem o seu papel, isto é, cantou bem. Mas infelizmente não vai ser transmitido pela RÁDIO e parece-me que vamos ter de ver o espectáculo. Apraz-me confessar que não sou um ser humano preconceituoso, que não faço juízos de valor só pelo aspecto ou pelas palermices que saem da nossa boca em momentos de maior tensão. Mas também sei que, para este tipo de concursos existe um determinado tipo de enquadramento, com expectativas e formas de funcionamento. Acho que o nosso portuguesinho quis quebrar com tudo isso, está no seu pleno direito mas eu tenho que confessar que não achei nada disso aconteceu. Aquilo que apercebi foi uma postura muito forçada e sem piada. Eu até gosto de freak show mas este nosso representante nem é uma coisa nem outra. Consegue parecer mal amanhado, como se diz na minha terra, e muito polido ao mesmo tempo. Nem consigo encontrar palavras para descrever um personagem que se propôs a representar o seu país num concurso muito específico… Mas parece que vai ganhar! Oxalá ganhe pois é esse o maior desejo do povo português! Para mim é indiferente!

 

Já agora, sugestões? Não há? Vá lá, façam um esforcinho…

Nem sei por onde começar. Depois de vários meses sem escrever neste blogue, eis que se faz luz. Não foi nenhuma epifania ou algo do género… foi mais porque me chegou a casa a factura da empresa onde o blogue está alojado… e foi assim que me lembrei que o dito cujo existia… e cá estou eu.

Durante estes meses em que não quis saber disto para nada andei com outras taras e manias. Nada de especial. As minhas taras e manias são perfeitamente aceitáveis e compreensíveis. Mas souberam-me bem. Andei a ler, a desenhar um pouco, a trabalhar porque tem de ser, a beber uns copos e a ver séries, muitas séries. Se me arrependo? Não, claro que não. Gostei do que andei a fazer. Talvez tenha perdido algum tempo com as redes sociais, mais do que o devido e que me deram canseira…

Mas voltando às séries de televisão, andei um pouco obcecado e a aproveitar todos os minutinhos para poder ver mais um episódio. Comecei pelos Vikings e foi de rajada. De seguida BlackList e foi um ver se te avias. Narcos apareceu por acaso e também foi sufocante. Agora ando a ver Bull, Westworld e a Guerra dos Tronos e o tempo não chega. Nem sei muito bem porque é que estou aqui a escrever este texto em vez de estar…lá…no sofá…a ver mais um episódio…

Como estou sem capacidade de escrita, ainda mais do que o costume, vou ficar por aqui mas com a certeza de que volto… nem que seja para vos aconselhar sobre quais as séries que devem ver…

Antes do jantar…

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Enquanto o frango não acaba de assar e os cogumelos do monte ainda não estão salteados… a minha vida continua.

Desta vez com dores nas costas. Coisas da idade.

Uma pena!

Neste estado só consigo ver imagens. Diversos tipos de imagens. Umas mexem-se e outras não. As que se mexem fazem-me sentir ainda mais emperrado.

Uma pena!

Mesmo assim, não consigo deixar de as ver.

Sexta feira à noite e sem nada de especial para fazer.

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Começar por pensar em prazer quando se está a ouvir isto? Pode-se começar por aí, mas é pouco.

Pouco?

Sim, pouco!

Cada pessoa tem os seus argumentos acerca do prazer. Do prazer que consegue obter.

Acabaram de ouvir? O mesmo que eu? E ccccccoonnnseguiram pensar em prazer?

Não, pois não?

Tem demasiado ruído. O prazer não precisa de ruído.

O meu prazer passa pelo básico.

Porquê? Pelo básico?

Porque eu sou básico. Tenho necessidade do prazer básico. Aquele prazer que vem de dentro, quase animal. Que funcione como factor de equilíbrio. Equilíbrio físico e emocional. Quem pode achar que o equilíbrio se consegue com mais do que isso?

Eu não estou muito virado para soluções alternativas… porque acho que todos nós andamos todos atrás do mesmo. Vivemos para encontrar o prazer.

Aquele prazer que inunda a nossa alma.

Que invade aquela zona do nosso cérebro e nos deixa em biquinhos dos pés para conseguirmos respirar

Eu sei, são muitas musiquinhas para serem ouvidas… não há pachorra…

 

Tenho esperança!

bitmap Não tenho tido grandes momentos de reflexão. O que é uma pena porque sinto necessidade de ordenar as minhas ideias. Mas tem sido assim a minha vida nestes últimos três meses. Por diversas razões.

Este blogue tem sido testemunha da minha incapacidade em escrever decentemente sobre o que quer que seja. Nos últimos tempos apenas escrevo palermices. Quer dizer, eu sempre escrevi palermices… mas faziam algum sentido na sua leitura. Quero eu dizer que se percebia o que ia escrevendo. Tal não tem sucedido nestes tempos recentes.

É a vidinha. Todos nós temos momentos desses nas nossas vidas, ou não?

Eu vou tendo. É sinal de que também vou andando por cá…

Pode ser que a coisa melhore um pouco!

E é isto…

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Continuo à procura de tanta coisa.

Sossego?

Seria bom!

Silêncio?

Excelente!

Conseguir pensar durante dois minutos sem ser verdadeiramente interrompido?

Nem em sonhos!

Não ter de berrar?

Como se fosse possível!

E?

E?

E eu com tanta coisa para fazer…

E não faço o que quero…

 

 

Com as mãos nos bolsos.

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Há pouco fui ter com o meu espelho. Sempre olhei para ele. Nunca achei piada. Nunca gostei do que vi. E eu não me deixo guiar pelas aparências. Essas, são outras andanças.

Mas voltando às aparências. Nunca gostei do que fui vendo. Ao longo dos anos. Longos.

Hoje foi pior. Olhei. Vi uma máscara cerrada.

Este sou eu?

Meu deus. Estou a ouvir Barry White e estou com uma cara cerrada???

Sim.

Três.

Pontos de interrogação!

Mais um de exclamação…

Meu deus, estou perdido.

Barry White não merece isto.

Eu também não.

Ninguém merece isto.

A vida são dois dias!

Sexta feira, à tarde, com chuva lá fora.

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Sou rapaz para parecer que tenho cinquenta e quatro anos. Não tenho como fugir deles. Também não pretendo fugir dos ditos cujos. Estão-me na pele. Que posso eu fazer? Tenho de confessar que estou a adorar a idade que tenho. Mentalmente estou muito bem. Estou no ponto de desequilíbrio total. Naquele ponto em que posso pensar tudo aquilo que me apetece. Posso querer melhor? Estou naquele tal ponto em que não quero saber daquilo que as outras pessoas pensam. Tanto me dá como tanto se me deu…

Por outras palavras. Quero que se lixem (na minha terra costuma-se dizer que quero se que se fodam, mas como este blogue é universal e não reconhece regionalismos, por isso mais vale não pensar no assunto).

Nem me apetece continuar a falar sobre o assunto!

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Pois é! Vontade, procura-se! Já pensei várias vezes encerrar este blogue mas… e não consigo perceber lá muito bem porquê… acabo por o deixar estar, quietinho é certo, mas no seu devido lugar. Tenho andado a ler mais do que devia e depois não sobra muito tempo para inventar assunto…

Também tenho de ser honesto e admitir que a minha vida tem andado meio parada. Uma das poucas situações que merecem destaque nestes últimos tempos foi o tombo de ontem. Sim! É preocupante ter de andar aos tombos para tornar a minha vida mais excitante… Já o descrevi na rede social da moda e pouco mais ficou por dizer… Foi realmente emocionante cair daquela maneira, ser ajudado a levantar-me por uma senhora muito preocupada e simpática, ficar a arfar como um cavalo e sem perceber o que me tinha acontecido, completamente encharcado porque os passeios são tão bem feitos que se transformam em autênticos lagos para pessoas como eu lá se enfiarem de cabeça… Foi uma cena do outro mundo. Lembro-me de alguns tombos ridículos na minha vida. Quem não os deu e não tenha andado num seminário, que atire a primeira pedra… Mas um tombo daqueles, não me lembro! Andei no atletismo, a correr e a saltar barreiras que nem um verdadeiro maluco, durante catorze anos e nunca dei um tombo. Fiz teatro numa companhia itinerante em que era necessário montar e desmontar um cenário com luzes e não sei que mais… em que andava pendurado em escadas e afins e, pasme-se, nunca dei um tombo. Tirei o meu curso de pintura num edifício de dois andares em que, algumas das vezes, tinha de subir as escadas em condições… digamos, adversas… e nunca vim parar cá baixo, ou seja, nunca me espetei pelas escadas abaixo. Passei a professor, a tempo inteiro, e sempre com muito cuidado para não me estatelar num corredor cheio de alunos à espera de verem as desgraças dos outros… Sempre fui conseguindo. Quer dizer, no final do ano lectivo passado, ia a descer umas escadas na minha escola (que conheço de cor há mais de vinte anos…) e fugiu-me um pé. Como ainda não estava lerdo de todo e não sabendo (ainda) como fiz aquilo dei um salto para a frente e aterrei no final da escadaria… como se nada fosse e com o maior sorriso nos lábios (armado em artista…) pois a coisa correu bem.

E pronto. Foram estas as minhas experiências em tombos de largo espectro… o resto, que não me lembro, foi insignificante. Mas o tombo de ontem…